Carnaval impulsiona microempreendedores: geladinhos, fantasias e IA geram renda extra
Carnaval: microempreendedores lucram com geladinhos e fantasias

Carnaval se torna vitrine para microempreendedores gerarem renda extra

Com a alta demanda por itens de festa e serviços, o carnaval se transformou em uma oportunidade lucrativa para microempreendedores, além de ser uma opção de renda adicional para quem possui emprego fixo. Os produtos comercializados por esses pequenos empresários abrangem desde tiaras e plaquinhas para usar nos blocos até doces alcoólicos caseiros, com algumas pessoas até se aventurando na costura e na criação de peças com tecidos coloridos, lantejoulas e glitter.

Da brincadeira entre amigos a uma empresa consolidada

Bruno Spinardi, de 36 anos, conhecido como Sunga, é um exemplo desses microempreendedores. Além de atuar como arquiteto, ele é fundador da Sungolé, empresa que vende uma versão alcoólica do doce de verão, chamado de geladinho, sacolé ou chup-chup, dependendo da região. Tudo começou em 2015 como uma brincadeira entre amigos para arrecadar fundos e curtir o carnaval no Rio de Janeiro.

"A gente queria ir ao Rio de Janeiro, mas estávamos 'duros'. Então surgiu a ideia: vamos fazer geladinho em casa e vender nos blocos", relatou Bruno. "Fizemos isso em cinco finais de semana seguidos, e deu certo!"

O projeto se repetiu nos anos seguintes, atraindo outras pessoas que se tornaram revendedoras. Atualmente, a produção dos produtos da Sungolé é realizada em uma fábrica, com revendedores comprando unidades no atacado e responsabilizando-se pelo armazenamento e vendas. No ano passado, a empresa vendeu aproximadamente 40 mil geladinhos com uma equipe de quase 20 revendedores.

"Temos pessoas que vendem entre 3.000 e 4.000 unidades nos blocos de pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. A média é mais ou menos mil unidades vendidas por pessoa", explicou Bruno.

Lucros significativos e expansão de mercado

Os preços de venda recomendados pela Sungolé são uma unidade por R$ 8 e três por R$ 20. Para os próximos anos, as metas incluem continuar fomentando o carnaval de rua e ingressar no setor de moda carnavalesca, com a venda de maiôs e viseiras da marca. Bruno estima que haverá ao menos 25 vendedores da Sungolé nas ruas neste ano, atuando em cidades como São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro.

A advogada Lígia Godoy, de 30 anos, é uma das revendedoras do projeto desde 2025. Ela relatou que, além de ganhar uma renda extra, a experiência foi divertida, permitindo conhecer novas pessoas e fazer amizades em blocos. Em 2025, Lígia lucrou quase R$ 2 mil com as vendas no carnaval, utilizando o dinheiro para viajar após comprar 1.200 geladinhos para revender.

Arquitetura e paixão por fantasias se unem no carnaval

Enquanto o carnaval movimenta quem vende geladinhos, o mercado de arquitetura tende a ficar mais parado durante o período, conforme destacou Fabrício Cervelin, arquiteto autônomo de 46 anos. Sua marca de roupas, a Fabrilhe, surgiu em 2020 após uma demissão, mas sua paixão por fantasias de carnaval vem desde a infância, inspirada pelas festas de rua em Divinolândia, cidade do interior de São Paulo.

"É uma paixão antiga, porque o carnaval de rua de Divinolândia acontecia na frente da casa da minha avó. Eu assistia e ficava encantado com aquilo", contou Fabrício.

Agora, na capital paulista, ele aproveita a data festiva para obter uma renda extra vendendo roupas e acessórios artesanais, como bonés, tiaras, colares e coletes, com peças que chegam a custar R$ 380. A marca é praticamente um trabalho solo, com Fabrício responsável por desenhar, criar, produzir, fotografar e editar, exceto por alguns itens confeccionados por uma costureira.

"É gratificante ir aos lugares e ver pessoas usando coisas que eu fiz", afirmou ele, ressaltando que os materiais utilizados são sustentáveis, como restos de tecidos e penas coletadas naturalmente de aves.

Inteligência artificial como aliada dos empreendedores

Maria Claudia Marrey, comunicadora social de 43 anos, fundou a Lucky Charm Acessórios em 2018, após trabalhar em agências de marketing. Ela produz à mão itens como tiaras, ombreiras e viseiras cheios de penas e brilhos, com preços variando entre R$ 89,90 e R$ 400. Recentemente, passou a utilizar inteligência artificial (IA) para auxiliar na produção e edição de imagens, além da criação de textos para redes sociais e site.

"As ferramentas de IA foram uma 'mão na roda' para empreendedores autônomos", destacou Maria Claudia.

Ela não está sozinha nessa tendência. Uma pesquisa da plataforma InfinitePay revelou que empreendedores brasileiros usam IA principalmente em transações financeiras, controle de caixa, campanhas de marketing e análises para tomada de decisões. Para Maria Claudia, o carnaval é a data comemorativa que mais impulsiona as vendas da marca, permitindo que ela mantenha a empresa durante todo o ano.

"É uma festa que o Brasil inteiro comemora. Eu recebo pedidos até de gente de fora. Já mandei peças aos Estados Unidos e, neste ano, recebi pedidos de pessoas da Argentina", concluiu ela.