Carnaval 2026: Vila Isabel lidera com homenagem a Heitor dos Prazeres
Carnaval 2026: escolas de samba apostam em homenagens

O Carnaval carioca de 2026 promete ser uma celebração emocionante, marcada por um número recorde de homenagens a grandes personalidades. Os desfiles do Grupo Especial, agendados para os dias 15, 16 e 17 de fevereiro na Marquês de Sapucaí, já revelam enredos que prestam tributo a ícones da música, da cultura, da política e do próprio samba.

Os Destaques da Sapucaí: Homenagens e Samba de Qualidade

Entre as agremiações que mais se destacam na prévia dos sambas-enredo, a Unidos de Vila Isabel surge como grande favorita. A escola levará para a avenida o enredo "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África", uma homenagem ao sambista e artista Heitor dos Prazeres. A letra é apontada pela crítica como a melhor do ano, com potencial para se tornar um clássico atemporal, deixando as coirmãs com um grande desafio pela frente.

Outras duas escolas apresentam sambas considerados excepcionais. A Beija-Flor de Nilópolis abordará o Bembé do Mercado, considerado o maior candomblé de rua do mundo, celebrando a tradição afro-baiana. Já a Unidos do Viradouro vai narrar a vida e obra do querido sambista carioca Mestre Ciça. Ambos os sambas são elogiados por sua força e por permitirem que os componentes cantem a plenos pulmões.

No primeiro pelotão de qualidade também se encontram a Unidos da Tijuca, que reforçará o impacto da escritora Carolina Maria de Jesus, e a Paraíso do Tuiuti. A Tuiuti mergulhará nas raízes africanas com o enredo "Lonã Ifá Lukumi", sobre a religião afro-cubana Santeria, sob a batuta do carnavalesco Jack Vasconcelos.

Homenagens Políticas e Artísticas no Meio da Tabela

Uma estreante no Grupo Especial promete agitar o cenário. A Acadêmicos de Niterói fará sua primeira aparição no grupo de elite homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". O refrão do samba resgata o famoso jingle "Oê olê olê olá, Lula Lulá", em uma aposta arriscada que pode render bons frutos.

O universo artístico será amplamente celebrado. A Mocidade Independente de Padre Miguel, abrindo a segunda noite, prestará tributo à eterna rainha do rock brasileiro, Rita Lee. O Salgueiro vai homenagear uma das maiores figuras da própria festa: a consagrada carnavalesca Rosa Magalhães. A Imperatriz Leopoldinense traz um enredo camaleônico sobre Ney Matogrosso, criado por Leandro Vieira, que optou por referências indiretas ao invés de citar o nome do homenageado.

A Portela apresentará uma narrativa fantástica sobre a história negra no Rio Grande do Sul, destacando a figura de Custódio Joaquim de Almeida. A escola passa por uma mudança emocionante nos vocais, com Zé Paulo Sierra assumindo o posto de intérprete principal após o falecimento de Gilsinho.

Agremiações que Buscam seu Espaço

A Acadêmicos do Grande Rio levará para a avenida o Manguebeat, movimento cultural pernambucano liderado por Chico Science. A escola anunciou a influenciadora Virginia Fonseca como nova rainha de bateria, no lugar de Paolla Oliveira. Apesar do tema vibrante, a crítica avalia que o samba não repetiu o brilho poético dos anos anteriores.

Uma das torcidas mais fervorosas, a Estação Primeira de Mangueira, homenageará o amapaense Mestre Sacaca, guardião da Amazônia Negra. No entanto, a agremiação conhecida por refrões de apelo popular surpreendeu com um samba considerado menos empolgante, com passagens em tom mais baixo.

De modo geral, a safra de 2026 é considerada equilibrada, sem sambas apontados como ruins. O Carnaval promete uma rica mistura de história, cultura afro-brasileira, preservação ambiental e celebração artística. Mas, ao menos no papel, a Unidos de Vila Isabel parte na frente com vários metros de vantagem, apresentando desde já um forte candidato ao título do próximo ano.