Rosas de Ouro e Beija-Flor: as grandes campeãs do carnaval 2025
O carnaval de 2025 ficou marcado por desfiles emocionantes e vitórias históricas nas duas maiores capitais do Brasil. Em São Paulo, a Rosas de Ouro quebrou um jejum de 15 anos para conquistar o título, enquanto no Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis celebrou seu 15º campeonato com uma homenagem tocante. As duas escolas demonstraram que narrativa forte, impacto visual e conexão com o público são elementos essenciais para a glória no sambódromo.
Rosas de Ouro: o fim do jejum em São Paulo
A Rosas de Ouro conquistou o título do Carnaval de São Paulo em 2025 de forma dramática, com a definição vindo apenas na última nota da apuração. A tensão tomou conta do Sambódromo do Anhembi enquanto a escola aguardava o resultado que encerraria um longo período sem vitórias, já que não era campeã desde 2010.
O enredo apresentado na avenida contou a trajetória dos jogos ao longo dos séculos e sua influência na humanidade, unindo passado e presente de maneira criativa. O desfile começou com uma representação simbólica do amanhecer, estabelecendo um tom poético que se manteve até o final.
Entre os destaques visuais, destacaram-se:
- A fantasia neon da rainha de bateria Ana Beatriz Godoi, que brilhou sob as luzes do Anhembi
- Uma ala inteira caracterizada como Pac-Man, trazendo elementos da cultura pop dos videogames
- Um balão gigante com o rosto do personagem do jogo eletrônico, que flutuou sobre a avenida
- Uma ala vestida de baralho, representando os jogos tradicionais
- A bateria coreografada com precisão, mantendo o ritmo contagiante
O samba-enredo "O medo de perder não pode superar" capturou perfeitamente o espírito competitivo e a determinação da escola, com versos que falavam sobre construir identidade, buscar vitória e escrever história a cada competição.
Beija-Flor: o 15º título com homenagem emocionante
No Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis conquistou seu 15º título carnavalesco com um desfile que emocionou o público do início ao fim. A escola homenageou Laíla (1943–2021), diretor de carnaval responsável por grande parte das vitórias da agremiação, em uma apresentação que resgatou a força do tradicional "rolo compressor nilopolitano".
A apuração foi extremamente equilibrada, com Beija-Flor e Imperatriz Leopoldinense empatando na liderança em seis quesitos. A decisão veio apenas quando a Imperatriz perdeu um décimo em Fantasias, permitindo que a Beija-Flor assumisse a dianteira definitiva.
O desfile marcou também a despedida emocionante de Neguinho da Beija-Flor como intérprete oficial. Já na concentração, ele havia comovido ao afirmar que voltaria no Sábado das Campeãs como vencedor, promessa que se cumpriu de maneira gloriosa.
A apresentação da Beija-Flor se destacou por:
- Um conjunto visual fiel à identidade histórica da escola
- Um samba-enredo de forte conexão com o público, com referências à cultura afro-brasileira
- Uma comissão de frente que representou Laíla em um terreiro sagrado
- A emoção palpável que tomou conta de componentes e espectadores
O samba "Kaô meu velho!" trouxe elementos religiosos e culturais profundos, com versos que invocavam a presença espiritual de Laíla e celebravam a herança nagô, demonstrando como o carnaval pode ser uma expressão poderosa de identidade cultural.
O legado das campeãs
As vitórias da Rosas de Ouro e da Beija-Flor em 2025 demonstram a vitalidade do carnaval brasileiro como expressão cultural. Enquanto a escola paulista mostrou como inovar mantendo tradições, a carioca provou que homenagens bem executadas podem gerar desfiles memoráveis.
Ambas as escolas enfrentaram competições acirradas e venceram por detalhes, comprovando que no carnaval de alto nível, cada décimo conta e cada elemento do desfile precisa estar impecável. Os desfiles ficarão na memória dos fãs do samba como exemplos de como narrativa, emoção e execução técnica podem se unir para criar momentos inesquecíveis na avenida.
Com essas vitórias, Rosas de Ouro e Beija-Flor não apenas conquistaram títulos, mas também escreveram novos capítulos em suas histórias já ricas, inspirando futuras gerações de carnavalescos e mantendo viva a chama do maior espetáculo da Terra.