Bonecos Mirins de Olinda: Tradição Carnavalesca Forma Nova Geração de Bonequeiros
Não há carnaval em Olinda sem os famosos bonecos gigantes e seus dedicados carregadores, conhecidos como bonequeiros. Neste domingo (15), essa tradição secular que encanta milhares de foliões atraiu também um público especial: crianças e adolescentes. Mesmo com poucos carnavais na bagagem, esses jovens demonstraram uma paixão contagiante pelos gigantes em versão mirim, assumindo nos ombros a responsabilidade de manter viva uma das mais belas tradições do carnaval pernambucano.
Regras e Preparação para os Futuros Bonequeiros
Para participar do bloco dos bonecos mirins, é necessário seguir algumas regras estabelecidas pela organização. A criança ou adolescente deve ter uma altura mínima de 1,5 metro e idade a partir de dez anos para poder carregar as alegorias. Esses requisitos garantem a segurança dos participantes e a integridade dos bonecos, que, embora menores, exigem certa maturidade física.
De acordo com Josenildo Bezerra, o renomado Mestre Camarão, responsável pela confecção dos bonecos gigantes de Olinda, o encontro dos mirins se transformou em uma verdadeira "fábrica" de novos carregadores. "É uma verdadeira escolinha. Eles começam bem pequenos e, quando crescem, pedem muito para carregar os bonecos", relata o mestre, com orgulho evidente em sua voz.
Características dos Bonecos Mirins e a História do Desfile
Os bonecos mirins são significativamente menores do que os gigantes tradicionais, pesando entre dois e cinco quilos, conforme informado pela agremiação. Essa redução de peso permite que as crianças e adolescentes possam carregá-los com mais facilidade, enquanto aprendem as técnicas e o ritmo necessários para as ladeiras de Olinda.
O desfile dos bonecos mirins, que conta com personagens icônicos como Luiz Gonzaga, Ariano Suassuna, Alceu Valença e a turma do seriado Chaves, teve início há 36 anos. A fundadora do evento foi a filha do próprio Mestre Camarão, demonstrando como a tradição é passada de geração em geração dentro das famílias olindenses.
Experiências e Depoimentos dos Jovens Participantes
A maior parte dos pequenos foliões está acompanhada dos pais e parentes, criando um ambiente familiar e de apoio. O olindense João Vitor, de 12 anos, estava radiante ao carregar um "mini boneco" e confessou que esperava há muitos anos por essa oportunidade. "Está pesado, mas eu estou muito feliz. Espero há muito tempo por esse momento", declarou, com um sorriso de satisfação.
João estava acompanhado do pai, Fernando, que é carregador de bonecos na versão dos gigantes. "Eu brinco o Carnaval há muitos anos segurando boneco gigante pelas ladeiras. Fui do bloco quando criança e incentivei meu filho a participar", detalhou o pai, exemplificando o ciclo contínuo de transmissão cultural.
Impacto e Legado do Encontro dos Bonecos Mirins
De acordo com a organização do evento, mais de uma centena de carregadores que atualmente levam os gigantes pelas ladeiras de Olinda já fizeram parte do grupo dos mirins quando eram mais jovens. Esse dado comprova a eficácia do encontro como uma escola prática para a formação de novos bonequeiros, assegurando que a tradição não se perca com o tempo.
O encontro dos bonecos mirins não é apenas uma atração carnavalesca; é um investimento no futuro cultural de Olinda. Ao envolver as crianças e adolescentes desde cedo, a comunidade garante que a magia dos bonecos gigantes continue a encantar foliões por muitas gerações, mantendo viva a alma do carnaval pernambucano.