Blocos de Saúde Mental Transformam o Carnaval do Rio em Espaço de Inclusão e Alegria
O Carnaval do Rio de Janeiro é mundialmente conhecido por sua alegria, beleza e diversidade. No entanto, além da festa, ele também se consolida como um poderoso espaço de inclusão social. Isso fica evidente com a atuação dos blocos de saúde mental, que agitam diferentes regiões da cidade, reunindo usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade local.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, essas agremiações demonstram que a maior festa popular do país é igualmente um local para conscientização e combate a estigmas e preconceitos. Hugo Fernandes, superintendente de Saúde Mental da secretaria, destaca que a iniciativa reafirma o direito das pessoas em sofrimento psíquico à cultura e à alegria.
Zona Mental: Reinvenção e Homenagem na Zona Oeste
O Zona Mental, criado em 2015, é o mais novo entre os blocos de saúde mental e surgiu como uma construção coletiva de usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste. Seu primeiro desfile ocorreu em 2017, e em 2026 está programado para o dia 6 de fevereiro, com concentração na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu.
Débora Rezende, musicoterapeuta e co-presidente do bloco, explica que o objetivo é quebrar preconceitos e integrar todos os participantes. "A gente abre o carnaval da saúde mental. Queremos ver todos juntos, misturados, porque o bloco cresce com essa união", afirma. O enredo deste ano homenageia os nordestinos residentes na Zona Oeste, com um samba dedicado ao multi-instrumentista Hermeto Pascoal.
Tá Pirando, Pirado, Pirou!: Celebrando a Reforma Psiquiátrica
Completando 21 anos em 2026, o bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! celebra os 25 anos da Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial. Seu desfile acontecerá no dia 8 de fevereiro, na Avenida Pasteur, Urca, e homenageia o psiquiatra italiano Franco Basaglia, figura-chave na reforma psiquiátrica brasileira.
Alexandre Ribeiro, fundador do bloco, ressalta a importância de Basaglia, que denunciou os horrores de manicômios como o Hospital-Colônia de Barbacena. O movimento inspirado por ele culminou no Manifesto de Bauru e na luta por uma sociedade sem manicômios.
Império Colonial e Loucura Suburbana: Arte e Comunidade em Foco
O Império Colonial, fundado em 2009, homenageia o artista Arthur Bispo do Rosário e desfila no dia 10 de fevereiro em Jacarepaguá. Luciana Cerqueira, diretora do IMASJM, destaca o amadurecimento do bloco, que agora conta com alas temáticas.
Já o Loucura Suburbana, o mais antigo do grupo, completa 26 anos em 2026. Seu desfile no Engenho de Dentro, em 12 de fevereiro, espera superar 3 mil participantes. A psicóloga Ariadne Mendes, coordenadora-geral, explica que o enredo "Baluartes, Território e Loucura" reflete a tradição e as raízes comunitárias do bloco, que ainda oferece fantasias e maquiagem gratuitas aos foliões.
Esses blocos não apenas animam o Carnaval, mas também funcionam como espaços de convivência e cuidado ao longo do ano, com oficinas de música, artesanato e percussão. Eles estimulam a expressão artística, ampliam o diálogo sobre inclusão e reforçam a importância do respeito às diferenças, tornando a festa carioca um exemplo de como a cultura pode promover saúde mental e cidadania.