Turma da Rolinha: 27 anos de resistência do frevo no pré-carnaval de Maceió
Bloco Turma da Rolinha celebra 27 anos de frevo em Maceió

Turma da Rolinha: 27 anos de resistência do frevo no pré-carnaval de Maceió

O bloco Turma da Rolinha está prestes a completar três décadas de história, mantendo-se como um dos principais símbolos de resistência do frevo durante o pré-carnaval de Maceió. Fundado em 6 de fevereiro de 1999, na orla da Pajuçara, o grupo nasceu da iniciativa de um coletivo de amigos apaixonados pelo ritmo pernambucano.

Origens e contexto histórico

De acordo com o presidente do bloco, Ivonilton Mendonça, a criação da Turma da Rolinha ocorreu em um período em que o frevo vinha perdendo espaço nas ruas da capital alagoana. “Era uma época em que muitas pessoas tinham migrado para o axé, que surgia com muita força, com os grandes blocos e trios elétricos”, relembrou. A ideia inicial era simples: reunir amigos e familiares, com aproximadamente seis músicos, para sair pela areia da praia, tentando atrair mais foliões ao longo do percurso.

Com o passar do tempo, outros entusiastas do movimento se juntaram ao grupo e o bloco começou a ganhar forma. “Um amigo disse que patrocinava as camisas, outro se responsabilizou pela orquestra, outro pela kombi com alto-falante. Saímos da areia e fomos para o asfalto”, contou Ivonilton.

Evolução e organização atual

Atualmente, a Turma da Rolinha é filiada à Liga Carnavalesca de Maceió e desfila duas semanas antes do Carnaval. Inicialmente, o bloco saía uma semana antes da festa, mas a mudança no calendário aconteceu após a pandemia, em acordo com o bloco Pinto da Madrugada, a Prefeitura de Maceió e outros órgãos.

Segundo o presidente, a alteração teve como objetivo dar mais espaço a cada bloco e ampliar as opções para foliões e turistas na orla da cidade. “Quem quiser dançar axé tem sua opção, mas quem quiser frevo é com a Turma da Rolinha”, destacou.

Significado do nome e legado

O nome do bloco carrega um significado especial. Ivonilton explica que a escolha é uma homenagem ao pai, um grande carnavalesco que o ensinou a amar o frevo. Além disso, faz referência à infância e aos pássaros que faziam parte do cotidiano familiar, entre eles a rolinha fogo-apagou.

“É uma lembrança de um tempo gostoso da infância e do meu pai. A rolinha traz a identidade do Nordeste e também essa mistura da brincadeira com a coisa séria, que é o espírito do Carnaval”, afirmou.

Para o presidente, a Turma da Rolinha já se consolidou como um patrimônio do pré-carnaval de Maceió e deve continuar por muitos anos. “Tenho certeza de que o bloco não vai acabar tão cedo. Ele é importante para a cidade, para o nosso povo, movimenta a economia, ajuda vendedores, atrai turistas e, para nós, é o prazer de fazer o que a gente gosta”, disse.

O bloco representa não apenas uma tradição cultural, mas também um exemplo de perseverança e amor pela música regional, mantendo viva a chama do frevo em meio às transformações do Carnaval brasileiro.