Wada pode investigar injeções penianas de atletas de salto de esqui nas Olimpíadas de Inverno
Wada pode investigar injeções penianas em atletas de salto de esqui

Wada pode investigar alegações de injeções penianas em atletas de salto de esqui nas Olimpíadas

As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 começam oficialmente nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro, marcando a 25ª edição da competição que se estende até 22 de fevereiro. No entanto, além da expectativa pelas competições, um assunto incomum tem chamado a atenção: alegações de que atletas de salto de esqui estariam injetando substâncias em seus pênis para obter vantagem competitiva.

Alegações e possível investigação da Wada

A Agência Mundial Antidoping (Wada) afirmou que poderá investigar as alegações, caso surjam evidências concretas. O diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, declarou durante coletiva de imprensa nos Jogos que não está ciente dos detalhes, mas que, se algo vier à tona, a agência examinará se há relação com doping. "Não abordamos outros meios não proibidos de melhorar a performance", destacou Niggli, referindo-se ao fato de que o ácido hialurônico não está na lista de substâncias proibidas.

O presidente polonês da Wada, Witold Banka, brincou sobre o assunto, dizendo que "o salto de esqui é muito popular na Polônia, então prometo que vou analisar isso", em tom visivelmente divertido. As alegações foram inicialmente reportadas pelo jornal alemão Bild em janeiro, que noticiou que saltadores estariam usando injeções de ácido hialurônico para aumentar a circunferência do pênis em um ou dois centímetros.

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Como a prática poderia afetar o desempenho

Segundo a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), um aumento na área de superfície dos trajes de competição, causado por um pênis maior, poderia melhorar o voo dos atletas no ar. Sandro Pertile, diretor de provas masculinas de salto de esqui da FIS, explicou: "Cada centímetro extra em um traje conta. Se o seu traje tiver uma área de superfície 5% maior, você voa mais longe".

Antes de cada temporada, os atletas passam por medições rigorosas usando scanners corporais 3D, vestindo apenas roupa íntima elástica e justa ao corpo. As regras permitem uma tolerância de 2 a 4 cm nos trajes, e a altura da virilha é medida, com um acréscimo de 3 cm para homens. O ácido hialurônico injetado pode durar até 18 meses, potencialmente afetando essas medições.

Posição da FIS e histórico de manipulações

O diretor de comunicação da FIS, Bruno Sassi, negou as alegações, afirmando à BBC Sport que "nunca houve qualquer indicação, muito menos evidência, de que algum competidor tenha feito uso de injeção de ácido hialurônico para tentar obter vantagem competitiva". No entanto, a FIS tem histórico de casos envolvendo manipulação de trajes.

Em agosto, os medalhistas olímpicos noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang foram suspensos por três meses por adulteração de trajes durante o Campeonato Mundial de Esqui em Trondheim, Noruega. A FIS afirmou que a equipe "tentou burlar o sistema" com fios reforçados, embora os atletas não soubessem da adulteração.

Riscos do ácido hialurônico e cuidados necessários

O ácido hialurônico é um polímero que atrai e retém água, usado comumente em preenchimentos estéticos. Especialistas consultados pela BBC explicam que, quando aplicado no pênis, pode levar a um ganho de 1,5 a 4 cm de circunferência, dependendo da quantidade e técnica. O urologista Ubirajara Barroso Jr. da Universidade Federal da Bahia menciona ganhos de aproximadamente 1,5 a 2 cm, enquanto o cirurgião plástico Flávio Rezende afirma que é possível alcançar 3 ou 4 cm com aplicações adequadas.

No entanto, os riscos são significativos se o procedimento for feito de forma inadequada. Fernando Facio, coordenador do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, alerta: "O pênis é um órgão único, cheio de vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas". Aplicações erradas podem causar desde falta de efeito até necrose ou embolia, com risco à vida. O procedimento exige reaplicações após um ou dois anos, pois o corpo absorve a substância ao longo do tempo.

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Participação brasileira nas Olimpíadas de Inverno

O Brasil marca sua décima participação nos Jogos Olímpicos de Inverno, com a maior delegação da história: 15 atletas, incluindo um reserva, buscando uma medalha inédita. Onze atletas nasceram no Brasil, enquanto quatro têm dupla nacionalidade: Lucas Pinheiro, Pat Burgener, Augustinho Teixeira e Giovanni Ongaro. Eles competirão em cinco esportes: bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard.

A primeira prova de salto de esqui está marcada para segunda-feira, 9 de fevereiro, adicionando um elemento de expectativa extra diante das recentes alegações. Enquanto isso, a Wada permanece atenta, pronta para agir se novas evidências surgirem sobre essa prática incomum no mundo do esporte.