Venezuela faz história ao vencer Estados Unidos e conquistar título mundial de beisebol
A Venezuela escreveu um capítulo glorioso em sua história esportiva ao conquistar pela primeira vez o título do World Baseball Classic, superando os Estados Unidos em uma final eletrizante disputada em Miami. A vitória por 3 a 2 na quarta-feira, 18 de março de 2026, desencadeou uma onda de celebrações por todo o país sul-americano, com milhares de venezuelanos tomando as ruas de Caracas em um momento de união nacional.
Feriado nacional e celebrações históricas
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou feriado nacional na quarta-feira para marcar a conquista inédita. O troféu do campeonato foi recebido oficialmente durante um desfile comemorativo que terminou na Plaza de la Juventud, onde uma multidão vibrante acompanhou um show ao vivo e uma espetacular queima de fogos.
Mesmo com as restrições de entrada impostas pelo governo de Donald Trump, a torcida venezuelana fez-se presente em peso no estádio de Miami. A maior comunidade de imigrantes venezuelanos nos Estados Unidos, concentrada no sul da Flórida, misturou-se aos torcedores americanos nas arquibancadas, criando um ambiente único de celebração apesar das tensões políticas entre os dois países.
Uma vitória com sabor político especial
A conquista histórica acontece apenas dois meses após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação conduzida pelo governo americano. As declarações recentes de Donald Trump nas redes sociais, onde sugeriu que a Venezuela poderia se tornar o "estado número 51" dos Estados Unidos, adicionaram uma camada extra de significado político a esta vitória esportiva.
O presidente americano havia comentado após a classificação venezuelana para a final: "Uau! A Venezuela derrotou a Itália hoje à noite por 4 a 2 na semifinal do WBC. Eles estão parecendo muito fortes. Coisas boas estão acontecendo com a Venezuela ultimamente! Fico me perguntando do que se trata essa magia. Estado nº 51, alguém?"
O jogo decisivo: emoção até o último inning
A partida final foi um verdadeiro thriller beisebolístico:
- Terceira entrada: Os venezuelanos abriram o placar com a rebatida de sacrifício de Maikel Garcia, permitindo que o veterano Salvador Perez pontuasse.
- Quinta entrada: O pitcher McLean cedeu um home run para Wilyer Abreu, ampliando para 2 a 0.
- Sétima entrada: Com Bobby Wilt Jr. na primeira base, Bryce Harper anotou um home run para empatar a disputa em 2 a 2.
- Nona entrada: Com o placar empatado, Javier Sanoja roubou a segunda base em uma jogada ousada. Seu companheiro Eugenio Suárez rebateu entre os defensores no campo central, permitindo que Sanoja completasse a corrida decisiva para 3 a 2.
Para os Estados Unidos, foi uma cena repetida da decisão de 2023 contra o Japão. Com o mesmo placar, Mike Trout enfrentou seu então companheiro de Los Angeles Angels, Shohei Ohtani. Três anos depois, Roman Anthony foi eliminado com um swing no vazio contra Daniel Palencia, enquanto os venezuelanos corriam para comemorar a vitória histórica.
O caminho até a glória
O time dos Estados Unidos, considerado um verdadeiro "dream team" do beisebol com estrelas como Aaron Judge, Bryce Harper, Bobby Witt Jr. e o campeão da WBC em 2017, Paul Skenes, deixou o estádio em Miami com a medalha de prata. Na fase de grupos, os americanos passaram em segundo lugar após uma derrota inesperada para a Itália, mas retomaram o caminho da vitória contra o Canadá nas quartas de final e bateram a República Dominicana na semifinal.
Do outro lado, a Venezuela, país onde o beisebol é o esporte nacional, pôde se vingar da eliminação para os Estados Unidos na edição de 2023. Na fase de grupos, passaram em segundo lugar, atrás da República Dominicana, mas não se abalaram diante do então campeão, Japão. Venceram o time de Shohei Ohtani, considerado um dos melhores do mundo, nas quartas de final e bateram a Itália na semifinal.
Com este título, a Venezuela se torna o quarto país campeão do Mundial de Baseball, juntando-se ao Japão (2006, 2009, 2023), Estados Unidos (2017) e República Dominicana (2013). Uma conquista que transcende o esporte e ressoa como um momento de orgulho nacional em meio a desafios políticos e econômicos.



