Torcida espanhola protagoniza episódio de islamofobia em amistoso internacional
Nesta terça-feira (31), durante a última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026, a partida amistosa entre Espanha e Egito no Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona, foi marcada por um lamentável episódio de discriminação religiosa. O jogo, que terminou empatado em 0 a 0, teve o futebol relegado a segundo plano devido aos cânticos islamofóbicos entoados pela torcida anfitriã.
Cantos discriminatórios ecoam no estádio
Minutos após o hino nacional do Egito ser executado sob vaias, os torcedores espanhóis iniciaram coros com conteúdo claramente pejorativo. "Quem não pular é muçulmano", cantavam de forma organizada, em referência direta e ofensiva à religião islâmica praticada pela maioria dos jogadores egípcios.
O comportamento poderia ter sido enquadrado no protocolo antidiscriminação da Fifa, que abrange ofensas de cunho racial, religioso e de identidade. No entanto, o árbitro búlgaro Georgi Kabakov não acionou o procedimento, permitindo que os cantos continuassem por vários minutos.
Reações dentro e fora do estádio
A organização do evento tentou conter a situação através do sistema de som do estádio, que pediu repetidamente para que os cânticos cessassem. A mensagem também foi exibida no telão eletrônico, mas com efeito limitado sobre os torcedores envolvidos.
Para além das instalações esportivas, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) manifestou-se através de suas redes sociais, postando mensagem condenando o comportamento discriminatório. A entidade responsável pela seleção espanhola reconheceu a gravidade do episódio que manchou a imagem do futebol do país.
Ofensa atinge até jogador da própria seleção
Os cânticos islamofóbicos atingiram não apenas os adversários egípcios, mas também um dos principais talentos da própria seleção espanhola. Lamine Yamal, jovem promessa de 19 anos que estava em campo, é muçulmano praticante.
Nascido na Espanha e filho de pai marroquino, Yamal observava rigorosamente o Ramadã durante o período do amistoso. O mês sagrado islâmico, que neste ano ocorreu entre 17 de fevereiro e 19 de março, exige jejum diário dos fiéis desde o nascer até o pôr do sol.
O episódio levanta questões sobre a eficácia dos protocolos antidiscriminação no futebol internacional e sobre a cultura esportiva em estádios europeus. Enquanto organizações tentam promover a diversidade e o respeito no esporte, manifestações como esta demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer.



