São Paulo mergulha em crise multifacetada após derrota e renúncia presidencial
O São Paulo FC atravessa um dos momentos mais delicados de sua história, com uma crise que se manifesta dentro e fora das quatro linhas. Na tarde de quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o presidente Júlio Casares renunciou ao cargo de forma definitiva, após ser destituído por votação do Conselho Deliberativo. À noite, em um golpe simbólico, o time profissional perdeu para a Portuguesa por 3 a 2 em pleno Morumbis, amargando a 12ª colocação no Campeonato Paulista, fora da zona de classificação para o mata-mata.
Cinco evidências da crise histórica do Tricolor
A situação instável do clube não é recente, mas acumula problemas que se intensificaram nos últimos anos. Apesar de disputar competições continentais, como a Libertadores em 2025 e a Sul-Americana em 2026, o São Paulo tem apresentado atuações pouco memoráveis. O último grande título foi a inédita Copa do Brasil em 2022, seguida da Supercopa em 2023, mas desde então, o time não encontrou consistência técnica, tendo seu terceiro treinador nesse período.
- Presidência em cheque: Júlio Casares se tornou o primeiro presidente do São Paulo a ser destituído, com 188 votos a favor de sua saída no Conselho Deliberativo. Sua renúncia voluntária evitou uma segunda votação na Assembleia Geral. Sob sua gestão, o clube conquistou títulos como o Paulista de 2021, a Copa do Brasil e a Supercopa, mas também ficou marcado pela venda de jogadores da base por preços baixos e pelo aumento significativo da dívida. O vice-presidente Harry Massis Júnior, empresário do ramo hoteleiro, assume interinamente.
- Esquemas ilegais investigados: O clube está no centro de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público. Diretores afastados, como Douglas Schwartzmann e Mara Casares, ex-esposa de Júlio, são acusados de venda ilegal de camarotes em dias de shows. Júlio Casares também é alvo por gestão temerária e movimentação suspeita de R$ 1,5 milhão em sua conta pessoal.
- Dívida bilionária: O déficit do São Paulo dobrou sob a gestão de Casares, beirando a casa do bilhão. Em 2021, a dívida era de R$ 476 milhões, chegando a R$ 968 milhões em 2024, com queda para R$ 912 milhões no último ano. O endividamento já afetou o futebol, com a FIFA impondo transfer bans em 2025 por atrasos em pagamentos, como ao Cerro Porteño por Bobadilla e a um ex-empresário de Calleri, ambos quitados posteriormente.
- Departamento médico sobrecarregado: Em 2025, o elenco registrou 49 problemas clínicos, com 16 atletas ausentes em mais de dez jogos. Lesões graves, como o rompimento do ligamento cruzado de Calleri e condições cardíacas de Oscar, destacaram a gravidade. Lucas Moura passou por três cirurgias no joelho, e Ryan Francisco, jovem destaque, ficou 30 jogos fora. Para 2026, o clube anunciou uma reformulação no departamento médico, com dispensas e novas contratações.
- Inconsistência técnica: Desde o título da Copa do Brasil, o time não encontrou um estilo de jogo definido. Após a saída de Dorival Júnior, Thiago Carpini conquistou a Supercopa, mas não implementou um jogo eficiente. Zubeldía trouxe empolgação na Libertadores, mas a ameaça de rebaixamento no Brasileirão pesou. Crespo assumiu, mas a eliminação para a LDU na competição continental foi um choque para a torcida, que via nela uma última esperança.
Contexto e perspectivas futuras
Apesar dos desafios, há pontos de luz. A base do clube continua produzindo talentos, com boa campanha na Copinha, incluindo o título em 2025 e classificação para a semifinal em 2026. No entanto, sem um projeto técnico sólido, essas joias podem não ser suficientes para reverter a crise. A torcida são-paulina, tradicionalmente fiel, aguarda com ansiedade medidas concretas para estabilizar o barco em meio a essa tempestade histórica.