Messi se torna proprietário de clube espanhol e destaca movimento global
Lionel Messi, o astro argentino do futebol, oficializou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a compra de 100% da Unió Esportiva Cornellà, time da Catalunha que disputa a terceira divisão do Campeonato Espanhol. O clube, conhecido por sua forte tradição na formação de jovens jogadores, ocupa atualmente a terceira posição do Grupo 5 da Tercera RFEF, com 55 pontos em 30 rodadas, lutando pelo acesso à quarta divisão. Essa aquisição coloca Messi em uma lista crescente de atletas e ex-jogadores que se tornaram proprietários de clubes, incluindo nomes como Cristiano Ronaldo, Gerard Piqué, Zlatan Ibrahimović, N’golo Kanté, Didier Drogba, David Beckham, Kylian Mbappé e Thierry Henry.
Expansão além do esporte: Hollywood e música entram em campo
O fenômeno não se limita aos profissionais do futebol. Celebridades de Hollywood e artistas consagrados também estão adquirindo participações em times. Recentemente, o ator Michael B. Jordan, após vencer um Oscar, foi homenageado pelo Bournemouth, da Premier League, clube do qual é um dos proprietários minoritários desde 2022. Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, explica que essas aquisições, mesmo que pequenas, geram repercussão que vai além do noticiário esportivo, criando interesse em produtos derivados dos clubes e suas marcas. Ele prevê que dezenas ou até centenas de celebridades da música e do cinema incorporarão participações em clubes como ativos alternativos em seus portfólios de investimentos nos próximos anos.
Outros casos emblemáticos incluem o rapper Snoop Dogg, que adquiriu uma participação minoritária no Swansea, da segunda divisão inglesa, e o astro Ryan Reynolds, que comprou o La Equidad, da Colômbia, rebatizado como Internacional de Bogotá. Reynolds, que já é dono do Wrexham, da Inglaterra, lidera um projeto grandioso para reposicionar a marca do clube colombiano, com planos de disputar a Copa Libertadores em 2027 ou 2028. Moises Assayag, especialista em finanças no futebol, destaca que investimentos em clubes de menor porte são baseados em critérios empresariais, focando em resultados financeiros e esportivos, com potencial de retorno rápido devido ao menor nível de investimento necessário.
Impacto no marketing e riscos envolvidos
Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, afirma que a visibilidade trazida por celebridades pode atrair novos fãs e patrocinadores, mas ressalta que outros fatores também são cruciais para o sucesso. Cristiano Caús, sócio da CCLA Advogados, alerta que nem todo investimento desse tipo é bem-sucedido, mas o risco é proporcional à rentabilidade, com maiores riscos oferecendo maiores retornos potenciais. Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management Brasil, vê benefícios para o mercado, pois reúne poderio financeiro em clubes de médio porte com objetivos de crescimento global a curto prazo, além de gerar publicidade em torno dos nomes das celebridades.
Exemplos recentes e tendência no Brasil
Casos mais recentes incluem o cantor Ed Sheeran, que adquiriu 1,4% do Ipswich Town, da Premier League, em 2025, fortalecendo sua ligação como torcedor e patrocinador do clube. No basquete, LeBron James comprou 2% do Liverpool em 2011, com valorização significativa ao longo dos anos, enquanto Steve Nash adquiriu o Mallorca, da Espanha. No Brasil, a tendência também ganha força, com Ronaldo Fenômeno como sócio majoritário do Real Valladolid, da Espanha, desde 2018, e o cantor Gusttavo Lima comprando o Paranavaí, do Paraná, em 2025. A Squadra Sports, criada por Guilherme Bellintani, administra cinco clubes no país, com planos de expandir seu portfólio de jogadores para 1.000 nos próximos cinco anos, destacando o modelo de Multi-Club Ownership (MCO) que potencializa ativos e forma jogadores em diferentes regiões.
Moises Assayag complementa que entender o esporte como "sportainment", combinando esporte com entretenimento, amplia as possibilidades de receita, algo que celebridades do cinema percebem e exploram em seus investimentos. Esse movimento, impulsionado por figuras como Messi, parece consolidar uma nova era no futebol, onde dinheiro, poder e entretenimento se entrelaçam nos gramados.



