Novo trabalho póstumo de Elis Regina emprega tecnologia de ponta para reviver voz da cantora
Enquanto a polêmica remixagem do álbum "Elis" (1973) continua gerando discordâncias públicas entre familiares e colaboradores da artista, um novo projeto póstumo está tomando forma nos estúdios brasileiros. Previsto para lançamento em novembro, este álbum utilizará inteligência artificial para restaurar e revitalizar a voz de Elis Regina a partir de gravações originais de 1976.
Controvérsias e processos judiciais em paralelo
O trabalho de revitalização transcorre simultaneamente às tensões relativas à edição remixada do disco de 1973. Cesar Camargo Mariano, pianista e arranjador do álbum original, já notificou judicialmente a gravadora Universal Music, enquanto João Marcello Bôscoli estaria considerando processar Mariano em resposta. Este cenário de disputas legais cria um pano de fundo complexo para o lançamento do novo material.
Origens históricas do projeto
A base deste álbum remonta a um especial televisivo gravado por Elis Regina para a TV Bandeirantes em 1976, realizado no estúdio paulistano Vice-Versa com tecnologia de 16 canais. Esta mesma gravação já havia originado, em 1984, o álbum póstumo "Luz das estrelas", produzido por Max Pierre e Rogério Costa, irmão da cantora. Naquela ocasião, a voz de Elis foi sobreposta a novos arranjos criados com a tecnologia disponível na época.
Processo tecnológico contemporâneo
A ideia do projeto atual surgiu em 2023 durante conversas entre João Marcello Bôscoli e seu irmão Pedro Mariano. A voz de Elis Regina foi extraída da gravação do especial - recuperada a partir de uma fita enviada pela gravadora Som Livre à família da artista, já que a fita original do programa aparentemente está perdida.
O engenheiro de som Ricardo Camera utilizou softwares de inteligência artificial para restaurar as dez faixas, reduzindo ou eliminando ruídos e interferências. Com a voz restaurada, uma nova base instrumental foi produzida nos Estúdios Trama NaCena, em São Paulo, com arranjos criados por Marcelo Maita que buscam equilibrar contemporaneidade e fidelidade ao universo musical da cantora.
Equipe musical de excelência
Para executar esta visão artística, foram convocados músicos de renome como Conrado Goys (guitarra), Daniel de Paula (bateria), Paulinho da Costa (percussão e percussão vocal) e Robinho Tavares (baixo). Estes instrumentistas se juntaram ao arranjador Marcelo Maita (piano elétrico e sintetizador) para gravar músicas como "Corsário", composição de João Bosco e Aldir Blanc.
Estratégia de lançamento e repertório
O single com a nova versão de "Corsário" está programado para ser lançado em 10 de maio, coincidindo com o Dia das Mães. Esta data marca exatamente dois anos desde que o projeto foi tornado público, quando foi lançado o single com a nova versão de "Para Lennon e McCartney".
Originalmente intitulado "Elis para sempre", o álbum poderá incluir outras composições significativas como "Triste" de Antonio Carlos Jobim, "O mestre-sala dos mares" e "Gol anulado", ambas de João Bosco e Aldir Blanc. A capa do disco apresenta a assinatura original de Elis Regina, mantendo uma conexão visual com o legado da artista.
Este projeto representa uma convergência única entre patrimônio musical histórico e tecnologia de ponta, reacendendo o debate sobre a preservação e reinterpretação do legado artístico brasileiro através dos recursos digitais do século XXI.



