França considera 'retrocesso' decisão do COI sobre mulheres trans nas Olimpíadas
A França manifestou nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, sua profunda preocupação com o anúncio do Comitê Olímpico Internacional (COI) de restabelecer os testes genéticos de verificação de sexo para os Jogos de Los Angeles em 2028. A ministra do Esporte, Marina Ferrari, classificou a medida como um retrocesso significativo para os direitos das atletas.
Posição francesa contra testes genéticos
Em comunicado oficial, a ministra Ferrari afirmou que o governo francês é contrário ao uso generalizado de testes genéticos, que levantam questões éticas, jurídicas e médicas complexas. Particularmente à luz da legislação francesa sobre bioética, que proíbe expressamente tais práticas, destacou a ministra.
O COI indicou na quinta-feira, 26, que os testes de feminilidade seriam reintroduzidos após quase 30 anos de descontinuidade, efetivamente excluindo atletas transgênero e um grande segmento de atletas intersexo das competições femininas. A França toma nota dessa decisão, mas expressa reservas fundamentais sobre seu impacto.
Histórico dos testes e preocupações atuais
Os testes de verificação de sexo foram introduzidos pela primeira vez em 1967 e utilizados até os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. O COI abandonou a prática em 1999 devido a fortes ressalvas da comunidade científica sobre sua validade e utilidade.
A França lamenta esse retrocesso, afirmou Ferrari, acrescentando que a decisão suscita sérias preocupações por estabelecer distinções que violam o princípio da igualdade entre atletas.
Contexto político internacional
A decisão do COI se alinha à ordem executiva do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que durante seu segundo mandato excluiu atletas transgênero das competições femininas por decreto. Embora a nova presidente do COI, Kirsty Coventry, ainda não tenha se reunido com Trump, a medida elimina potenciais conflitos com o anfitrião dos Jogos de 2028.
Detalhes do teste SRY
O COI determinou que a elegibilidade para eventos femininos nos Jogos Olímpicos e outros eventos do comitê estará limitada a mulheres biológicas, definidas através do teste do gene SRY. Este exame analisa a presença do gene ligado ao cromossomo Y através de amostras de saliva, swab bucal ou sangue.
O protocolo estabelece que:
- Atletas com resultado negativo terão elegibilidade permanente para competir na categoria feminina
- O teste será realizado uma única vez na vida, exceto se houver suspeita de erro na leitura
- Atletas com resultado positivo serão elegíveis apenas para categorias masculinas, mistas ou abertas
Impacto nas atletas e não retroatividade
A decisão não é retroativa, preservando os resultados anteriores de atletas como a sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica nos 800 metros. Semenya, que possui hiperandrogenismo e produz naturalmente níveis elevados de testosterona, venceu medalhas de ouro em Londres 2012 e Rio 2016, mas estará proibida de participar da próxima edição olímpica.
A posição francesa representa uma voz significativa de oposição dentro do cenário esportivo internacional, destacando as complexidades éticas e científicas envolvidas na definição de elegibilidade de gênero no esporte de alto rendimento.



