Fifa na mira da Comissão Europeia por preços abusivos de ingressos da Copa 2026
Fifa na mira da UE por preços abusivos da Copa 2026

Fifa enfrenta ação judicial na Europa por preços abusivos dos ingressos da Copa 2026

A Fifa entrou na mira da Comissão Europeia após uma ação judicial apresentada pela Associação Europeia de Torcedores de Futebol (Football Supporters Europe, FSE) em conjunto com a organização Euroconsumers. As entidades acusam a federação internacional de futebol de praticar preços "exorbitantes" e utilizar procedimentos de compra "opacos e desleais" para os ingressos da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.

Denúncia formal por abuso de posição dominante

Em comunicado oficial divulgado nesta terça-feira, 24 de março de 2026, a FSE afirmou que a Fifa "abusou da sua posição de monopólio" na venda de ingressos para o torneio. A denúncia foi formalizada perante a Comissão Europeia no âmbito do direito europeu da concorrência, com as organizações argumentando que a entidade esportiva impõe condições inaceitáveis em um mercado competitivo.

"A Fifa possui um monopólio na venda de ingressos para o Mundial de 2026 e utiliza este poder para impor aos torcedores condições que nunca seriam aceitáveis em um mercado de concorrência", destacaram as entidades em sua denúncia.

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Preços disparados em comparação com edições anteriores

Os números apresentados pela FSE são alarmantes:

  • Os ingressos mais baratos para a final de 19 de julho em Nova Jersey custam 4.185 dólares (21.898 reais)
  • Este valor representa sete vezes acima do cobrado na final do Catar-2022
  • Em comparação, os ingressos mais acessíveis para a final da Eurocopa-2024 custavam apenas 95 euros (cerca de 523 reais)

A situação se agrava quando observamos os preços na plataforma oficial de revenda da Fifa, onde uma cadeira de categoria três para a final foi anunciada por 143.750 dólares (752.000 reais) - mais de 41 vezes seu valor nominal original de 3.450 dólares.

Sistema de tarifa dinâmica sob crítica

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os preços como consequência da "enorme demanda", citando a prática comum nos Estados Unidos de "preços dinâmicos" que variam conforme o interesse dos torcedores. No entanto, a FSE critica justamente este sistema, argumentando que não há limites para quanto os ingressos podem subir e que há "falta de transparência sobre como os preços são definidos".

A associação destacou ainda que a candidatura da América do Norte havia prometido inicialmente ingressos a partir de 21 dólares, mas na prática os mais baratos colocados à venda custavam 60 dólares - como no caso da partida entre Áustria e Jordânia no Levi's Stadium na Califórnia.

Reivindicações das organizações de defesa

A FSE e a Euroconsumers apresentaram pedidos específicos à Comissão Europeia:

  1. Renúncia imediata do sistema de "tarifa dinâmica"
  2. Congelamento dos preços aos níveis anunciados em dezembro para a próxima fase de venda em abril
  3. Publicação, com pelo menos 48 horas de antecedência, do número de ingressos restantes em cada categoria

As organizações também criticam as regras de venda por serem "opacas", já que "o local dos assentos, os mapas dos estádios e até as seleções que jogarão não estão garantidos no momento da compra".

Contexto regulatório diferenciado

O mercado de revenda apresenta diferentes regulações nos países sede:

  • Estados Unidos e Canadá: mercado de revenda não regulamentado
  • México: revenda acima do valor nominal é proibida, mas apenas quando o ingresso é comprado no país utilizando a moeda local

Esta primeira Copa do Mundo ampliada para 48 seleções terá 104 partidas no total, com quase sete milhões de ingressos colocados à venda. Cada torcedor pode comprar no máximo quatro ingressos por partida e um total de 40 para todo o torneio.

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A denúncia ocorre após a FSE já ter exortado a Fifa em dezembro para "iniciar uma consulta" que encontrasse "uma solução que respeite a tradição, a universalidade e o alcance cultural da Copa do Mundo". O torneio será disputado de 11 de junho a 19 de julho de 2026, reunindo milhões de torcedores em três países da América do Norte.