Declaração de Djokovic sobre figueira brasileira gera debate botânico e psicológico
Djokovic e figueira: debate sobre flora e saúde mental

Declaração de tenista sobre figueira brasileira provoca discussão científica e emocional

O renomado tenista sérvio Novak Djokovic, um dos maiores nomes do esporte mundial, surpreendeu o público durante o torneio Australia Open ao revelar uma relação de amizade incomum. O atleta afirmou manter um vínculo especial com uma figueira localizada no Jardim Botânico de Melbourne, na Austrália, acreditando que a espécie era brasileira. Segundo suas declarações, essa árvore o auxilia na cura de feridas e no equilíbrio emocional durante as competições de alto nível.

Confusão botânica: a origem real da figueira

A repercussão nas redes sociais e na mídia especializada levantou questionamentos sobre a presença da flora brasileira no exterior. No entanto, após mais de vinte anos de relação do tenista com a árvore, a verdade sobre sua origem veio à tona. O próprio Jardim Botânico de Melbourne e um especialista em botânica esclareceram ao g1 que a figueira citada por Djokovic não é brasileira.

Tim Sansom, diretor executivo de Coleções Vivas do Royal Botanic Gardens Victoria, explicou que não há exemplares da espécie Ficus cyclophylla, conhecida como figueira-brasileira, no jardim. A equipe acredita que a árvore seja, na realidade, uma Ficus macrophylla, ou figueira-de-Moreton-Bay, uma das espécies mais comuns na Austrália, com 39 exemplares atualmente no local.

José Rubens Pirani, professor titular do Instituto de Biociências da USP, detalhou que diferenciar espécies de figueiras pode ser desafiador. Essas árvores pertencem ao gênero Ficus, que inclui centenas de espécies em regiões tropicais. A Ficus macrophylla se destaca pelo porte impressionante e características como raízes aéreas e presença de látex, além de desempenhar um papel ecológico crucial, dependendo de pequenas vespas para polinização.

Benefícios psicológicos da conexão com a natureza

Para além da discussão botânica, especialistas em saúde mental destacam que a relação descrita por Djokovic faz sentido do ponto de vista psicológico. Saulo Ciasca, coordenador da pós-graduação em psiquiatria da Sanar, explica que atletas de elite enfrentam pressão constante, comparação permanente e grande exposição pública.

Rituais e símbolos, como a conexão com uma árvore, cumprem uma função importante de regulação emocional, oferecendo previsibilidade em ambientes marcados pela incerteza. Essa prática, conhecida como grounding ou ancoragem no presente, ajuda a focar a atenção, reduzir reatividade emocional e restaurar sensação de segurança interna.

O Jardim Botânico de Melbourne reforçou que os benefícios da conexão com a natureza são universais, independentemente da espécie. A instituição promove sessões de forest therapy e estuda os efeitos positivos da natureza na saúde, enfatizando que a terapia das plantas pode ser acessível a todos.

Embora a figueira não seja brasileira como Djokovic acreditava, a história ilustra como estratégias inusitadas, como considerar uma árvore uma velha amiga, podem ser válidas para o desempenho emocional de atletas e indivíduos em geral.