Kirsty Coventry, presidente do COI, defende neutralidade política no esporte olímpico
Coventry pede foco no esporte e menos política no COI

Presidente do COI defende neutralidade política no esporte olímpico

A presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, fez um apelo contundente aos membros da instituição durante a abertura da 145ª sessão, realizada nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. Em seu discurso, a ex-nadadora do Zimbábue, de 41 anos, enfatizou a importância de concentrar esforços no esporte para garantir a neutralidade política dos Jogos Olímpicos, apenas três dias antes da cerimônia de abertura da edição de inverno em Milão-Cortina.

Valores olímpicos como prioridade máxima

"Os Jogos Olímpicos e os valores que eles representam são o nosso bem mais valioso", declarou Coventry, destacando que a missão principal do COI deve ser preservar um espaço onde atletas possam competir sem interferências políticas. Essa postura surge em um momento crítico, com grandes expectativas sobre seu mandato, iniciado em junho do ano passado, quando ela lançou um amplo processo de consulta para redefinir os rumos do movimento olímpico.

Sob a liderança de seu antecessor, Thomas Bach, o COI expandiu significativamente sua atuação, abordando temas como impacto ambiental, direitos humanos e combate à violência no esporte. No entanto, Coventry reforçou que "somos uma organização esportiva" e que o campo de atuação deve permanecer focado no esporte, evitando desvios que possam prejudicar a competição justa.

Desafios e controvérsias na prática

Apesar das declarações, Coventry ainda não implementou mudanças radicais em relação a políticas controversas. Ela manteve a linha de Bach em relação aos atletas russos, permitindo que apenas 13 competissem nos Jogos de Milão-Cortina sob bandeira neutra, devido ao conflito na Ucrânia. Além disso, o COI se recusou a discutir a situação dos atletas israelenses durante a ofensiva em Gaza, uma postura que gerou críticas e acusações de duplo padrão por parte de observadores internacionais.

Outro tema sensível aguardado é a participação de atletas transgênero e intersexuais em competições femininas, sobre o qual Coventry se limitou a mensagens genéricas, afirmando que "devemos garantir que os Jogos continuem a inspirar jovens em todo o mundo" e buscar um equilíbrio entre tradição e inovação.

Inovações e mudanças no horizonte

As primeiras conclusões dos grupos de trabalho serão apresentadas na quarta-feira, com propostas que podem transformar o programa olímpico. Entre as medidas previstas está a eliminação da fronteira entre esportes de inverno e verão, incorporando modalidades como:

  • Ciclocrosse
  • Gravel
  • Trail running

Essas inovações estão planejadas para os Jogos de 2030 nos Alpes Franceses, refletindo um esforço para modernizar o movimento. Coventry alertou que "teremos que tomar decisões e ter conversas difíceis, faz parte da mudança", reconhecendo os desafios à frente.

Com um discurso que mistura tradição e visão futurista, a primeira mulher presidente do COI busca consolidar sua liderança em um cenário complexo, onde o esporte e a política frequentemente se entrelaçam, exigindo diplomacia e firmeza para proteger os ideais olímpicos.