Golpe do médico falso da OTAN movimenta R$ 4 milhões e tem 20 vítimas
Golpe do falso médico da OTAN movimenta R$ 4 milhões

Uma organização criminosa que movimentou quase R$ 4 milhões com um golpe de extorsão na internet foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Paraná nesta quinta-feira (21). Os criminosos se passavam por um médico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para chantagear vítimas com fotos íntimas.

Como funcionava o golpe

Os golpistas criaram um perfil falso nas redes sociais com o nome de "David Green" e abordavam vítimas, principalmente mulheres. Em um dos casos, uma moradora de Palmas, cidade de 50 mil habitantes no sul do Paraná, foi contatada pelo falso médico. Ele se apresentou como oncologista em missão de paz da OTAN na Síria.

Durante semanas, o criminoso conquistou a confiança da vítima, prometendo casamento e um futuro juntos. Após ganhar a confiança, ele a induziu a compartilhar fotos e vídeos íntimos. Em seguida, passou a pedir dinheiro sob pretextos como passagens aéreas, multas e despesas com transporte de ouro na Áustria e no Brasil.

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Quando a vítima começou a desconfiar e alegou dificuldades financeiras, o golpista passou a extorqui-la, ameaçando divulgar o material íntimo nas redes sociais caso não pagasse R$ 20 mil. No total, a vítima teve um prejuízo de mais de R$ 60 mil.

Investigação e operação

A denúncia dessa vítima levou a polícia a descobrir que pelo menos outras 20 pessoas, de diversos estados, também caíram no mesmo golpe. As investigações apontaram que os autores fazem parte de uma organização criminosa estruturada, formada por brasileiros e estrangeiros.

Na operação desta quinta-feira, foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar em Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB). Os nomes dos detidos não foram divulgados.

A ação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (CIBERLAB/MJSP) e com a colaboração das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Divisão de tarefas na organização

A investigação identificou uma divisão estruturada de tarefas. O núcleo estrangeiro, operacional, usava um terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234) e era responsável pela abordagem, sedução e extorsão das vítimas. Já o núcleo nacional era voltado à lavagem de dinheiro, com operadores financeiros que cediam contas bancárias para receber, ocultar e dissimular os valores ilícitos, convertendo-os em criptoativos.

Em apenas dois meses, os criminosos movimentaram quase R$ 4 milhões. As contas bancárias identificadas figuram como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência em diversos estados.

Crimes investigados

Entre os crimes investigados estão extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. As penas podem superar 20 anos de prisão. A operação teve como objetivos identificar os demais integrantes da rede criminosa, delimitar a extensão total dos golpes e buscar a reparação dos danos causados.

Proteção das mulheres na internet

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (20) dois decretos que criam novas regras para a atuação das redes sociais no Brasil. Um deles atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet, e o outro traz medidas para a proteção das mulheres contra a violência na internet.

Entre os principais pontos estão: a criação de um canal específico para denúncias de nudez, com remoção do conteúdo em até 2 horas; a programação de algoritmos para reduzir o alcance de ataques coordenados contra mulheres; a proibição de ferramentas de IA que permitam a criação de nudes falsos; e a divulgação do canal de denúncias 180.

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