Clube é multado em R$ 10 mil após médica sofrer importunação sexual de torcedores em jogo
Clube multado após importunação sexual a médica em jogo

Clube de Ribeirão Preto é multado após médica sofrer importunação sexual de torcedores

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) aplicou uma multa de R$ 10 mil ao Comercial Futebol Clube, sediado em Ribeirão Preto, no interior paulista. A decisão foi tomada após uma médica denunciar ter sido vítima de importunação sexual por parte de torcedores durante uma partida de futebol no início de março. O julgamento ocorreu na terça-feira, dia 24, e o resultado foi divulgado oficialmente na quarta-feira, 25, pelo órgão, que está vinculado à Federação Paulista de Futebol.

Punição unânime por ato discriminatório

O clube foi punido por unanimidade com base no segundo parágrafo do artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Este artigo trata da prática de atos discriminatórios, desdenhosos ou ultrajantes, relacionados a preconceitos de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. O Comercial Futebol Clube já informou que irá recorrer da decisão do TJD-SP, buscando reverter a penalidade aplicada.

Consequências na Justiça comum e medidas adicionais

Além da multa desportiva, o caso também gerou repercussões na Justiça comum. Dois torcedores identificados pelo clube foram proibidos de frequentar partidas de futebol, e uma investigação foi aberta na Polícia Civil para apurar os fatos. A Federação Paulista de Futebol emitiu uma portaria na segunda-feira, 23, que oficializa a proibição da entrada desses torcedores em todos os estádios durante jogos do Campeonato Paulista e outras competições organizadas pela entidade.

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O Ministério Público apresentou uma proposta de acordo de não persecução penal (ANPP) como condição para não iniciar um processo formal. A proposta inclui o pagamento de um valor equivalente a dez salários mínimos, a prestação de serviços comunitários por um ano e uma retratação pública por parte dos torcedores envolvidos.

Detalhes do episódio de importunação sexual

O incidente ocorreu no dia 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, durante uma partida entre Comercial e Nacional-SP pela Série A4 do Campeonato Paulista, realizada em Ribeirão Preto. A vítima foi a médica Bianca Francelino, que atuava como freelancer a serviço da equipe do Nacional-SP. Ela relatou que torcedores gritaram palavras de cunho sexual e realizaram atos obscenos nas arquibancadas, direcionados a ela.

Em depoimento à EPTV, afiliada da TV Globo, a médica descreveu a situação: "Gritavam 'doutora gostosa' o tempo inteiro. 'Doutora gostosa, vem aqui me examinar', 'doutora gostosa, estou com uma dor aqui', apontando para parte íntima. Pedir WhatsApp, Instagram. Foram esses tipos de brincadeira o tempo inteiro. E também que se eu não quisesse ouvir 'zoeirinhas', não era para eu estar naquele lugar, que era para eu ficar em casa para próxima vez".

Protocolo de diversidade e registro oficial

A súmula da partida, documento oficial que detalha os eventos ocorridos, registrou que a árbitra Ana Caroline D'Eleutério foi informada pelo quarto árbitro sobre o relato feito pelo técnico do Nacional-SP, Tuca Guimarães. De acordo com a Federação Paulista de Futebol, a árbitra acionou o protocolo previsto no tratado pela diversidade e contra a intolerância no futebol paulista, garantindo apoio imediato à médica.

O técnico relatou que um torcedor teria segurado e apontado a genitália em direção à médica, que estava na área do banco de reservas. Essa situação desencadeou uma discussão inicial entre jogadores reservas e membros da comissão técnica do Nacional com torcedores do Comercial, que estavam próximos ao alambrado do estádio.

Este caso destaca a importância de medidas rigorosas contra a discriminação e o assédio no esporte, reforçando a necessidade de um ambiente seguro e respeitoso para todos os envolvidos.

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