Boicotes Políticos nas Copas do Mundo: Uma História que Pode se Repetir em 2026
A Copa do Mundo de 2026, sediada no México, Canadá e Estados Unidos, está sob a sombra de uma possível ausência de seleções europeias. Em resposta às ambições do presidente americano Donald Trump sobre a Groenlândia, ilha vinculada à Dinamarca, parlamentares de países como Alemanha e Reino Unido discutem um boicote ao torneio como forma de protesto político.
Contexto Atual: A Ameaça Europeia
O parlamentar alemão Jürgen Hardt, da União Democrata Cristã (CDU), sugeriu o boicote como último recurso para fazer Trump cair em si na questão da Groenlândia. No Reino Unido, figuras como o conservador Simon Hoare e a opositora Kate Osbourne expressaram apoio à medida, argumentando que é necessário enviar mensagens claras sobre soberania e limites internacionais. Osbourne destacou: Precisamos ver o mesmo agora em relação à Copa do Mundo. Os EUA não deveriam poder participar muito menos fazer parte da organização do torneio.
Relembrando os Boicotes Históricos
A história das Copas do Mundo é marcada por diversos boicotes motivados por razões políticas, demonstrando como o esporte frequentemente se entrelaça com conflitos globais.
- 1934 e 1938: Uruguai e Argentina – O Uruguai, campeão em 1930, boicotou as edições de 1934 na Itália e 1938 na França em protesto à baixa participação europeia em seu título. Em 1938, ganhou o apoio da Argentina, que esperava sediar o torneio.
- 1950: Índia – A seleção indiana desistiu da Copa no Brasil, não por ser proibida de jogar descalça, como mito comum, mas porque autoridades locais consideravam o torneio pouco importante.
- 1958: Nações contra Israel – Turquia, Indonésia, Egito e Sudão se recusaram a enfrentar Israel nas eliminatórias por motivos políticos, levando a Fifa a criar uma repescagem com o País de Gales.
- 1966: África Inteira – Todas as 15 seleções africanas boicotaram a Copa na Inglaterra em protesto à única vaga disponível e à reinserção da África do Sul, sob regime de Apartheid, no grupo asiático.
- 1974: URSS contra o Chile – A União Soviética se recusou a viajar ao Chile para uma repescagem, em protesto ao golpe de Pinochet, resultando em uma vitória simbólica chilena sem adversário em campo.
Impactos e Legados
Esses boicotes não apenas alteraram o curso das competições, mas também destacaram como questões de soberania, direitos humanos e conflitos internacionais podem transcender o campo de jogo. A possível ausência europeia em 2026 reforça essa tradição, colocando em xeque a neutralidade esportiva diante de tensões geopolíticas.
Enquanto a Fifa, sob a presidência de Gianni Infantino, mantém proximidade com Trump, o mundo do futebol aguarda para ver se a história se repetirá ou se novas soluções diplomáticas emergirão.