Alerj protagoniza 'duelo' de homenagens após demissão de Filipe Luís do Flamengo
A turbulenta saída de Filipe Luís do Flamengo, anunciada na manhã de terça-feira, 3 de março de 2026, não se limitou aos campos de futebol e rapidamente ganhou contornos políticos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em menos de uma semana, deputados de campos opostos protocolaram propostas praticamente espelhadas para conceder o título de benemérito: uma destinada ao ex-técnico e ídolo do clube, e outra para o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, responsável pela demissão.
Iniciativas políticas em lados opostos
O primeiro movimento partiu da deputada Zeidan, do PT, que, em projeto publicado no dia 11 de março, destacou a trajetória de Filipe Luís no futebol mundial e sua importância nas conquistas recentes do Flamengo. "Além do desempenho dentro de campo, Filipe Luís destacou-se pela postura exemplar, profissionalismo e liderança, sendo referência para companheiros e inspiração para jovens atletas", justificou a parlamentar em sua proposta.
Uma semana depois, em 18 de março, foi a vez do deputado e presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, do PL, mirar Bap. Na proposta, o parlamentar ampliou o argumento para a homenagem ao defender que a gestão do dirigente ultrapassa o universo esportivo e projeta positivamente o estado do Rio de Janeiro. "A gestão responsável e tecnicamente orientada conduzida por Bap reforça práticas profissionais que influenciam positivamente outros clubes e instituições", escreveu Delaroli.
Contexto de controvérsia e surpresa
A sequência de iniciativas, embora formalmente independentes, gera curiosidade e especulação, especialmente pelo contexto em que ocorreram. A demissão de Filipe Luís foi anunciada horas após uma goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, na semifinal do Campeonato Carioca, pegando a torcida do Flamengo de surpresa e sendo cercada de controvérsias.
Em um áudio vazado após o anúncio, Bap assumiu a responsabilidade pela troca no comando técnico e justificou a intervenção: "Acredito que, pelo conjunto das coisas que estavam sendo feitas, a gente não estava indo na direção que julgo adequada para a instituição". Essa declaração acentuou as discussões sobre os motivos reais da demissão, que muitos torcedores e analistas consideraram abrupta e pouco clara.
Reflexos na política e no esporte
As propostas de homenagem na Alerj refletem não apenas a polarização política no estado, mas também como eventos esportivos de grande repercussão podem influenciar a agenda legislativa. Enquanto alguns deputados buscam valorizar a figura do ex-técnico como símbolo de profissionalismo e sucesso, outros defendem a gestão de Bap como exemplo de administração eficiente.
Esse 'duelo' de homenagens ilustra como o futebol, especialmente em um clube de massa como o Flamengo, pode se tornar um campo de disputas simbólicas que transcendem o esporte e adentram a esfera pública. A situação também levanta questões sobre o uso de títulos honoríficos em contextos de conflito, potencialmente servindo como ferramentas de apoio político ou crítica indireta.
O desfecho dessas propostas ainda é incerto, mas já demonstra a capacidade do futebol de mobilizar atenções e gerar debates que misturam paixão esportiva, interesses clubísticos e estratégias políticas, em um cenário onde as fronteiras entre esses mundos se tornam cada vez mais difusas.



