Um estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, aponta que os gastos com benefícios da Previdência Social voltaram a crescer nos últimos quatro anos, impulsionados principalmente pelo aumento no número de beneficiários. A Previdência, que é a maior despesa obrigatória do governo federal, continua a pressionar o orçamento público.
Gastos superam R$ 1 trilhão em 2025
Somente em 2025, o pagamento de aposentadorias e outros benefícios previdenciários consumiu mais de R$ 1 trilhão, o equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Esse montante representa um aumento real de 14% acima da inflação acumulada no período de quatro anos, segundo a IFI.
Envelhecimento populacional eleva número de beneficiários
O crescimento dos gastos reflete, em parte, o envelhecimento da população brasileira. O número total de beneficiários da Previdência cresceu 11,6% nos últimos quatro anos, o que contribuiu para a expansão das despesas. Especialistas alertam que, sem novas reformas, a tendência é de agravamento do desequilíbrio fiscal.
“O envelhecimento da população vai fazer com que as pressões por emissão de novos benefícios continuem nos próximos anos. A população está vivendo mais. Então, nos próximos anos, a gente vai observar um aumento forte dos pedidos de benefícios ao INSS. Os efeitos trazidos pela reforma de 2019 tendem a se dissipar ao longo do tempo se nada for feito”, afirma Alexandre Andrade, diretor da IFI.
Auxílio-doença dispara a partir de 2022
Outro fator de pressão sobre as contas da Previdência é o pagamento do auxílio por incapacidade temporária, anteriormente conhecido como auxílio-doença. O número de pessoas recebendo esse benefício saltou de 1,9 milhão em 2022 para quase 4 milhões em 2025, mais que dobrando em três anos.
Projeções indicam despesas de 9% do PIB até 2030
A IFI estima que, se mantido o ritmo atual de crescimento, as despesas previdenciárias representarão mais de 9% do PIB até 2030, comprimindo ainda mais o espaço para investimentos públicos. “O limite compromete a realização de uma porção de políticas públicas e mesmo o espaço das despesas discricionárias do Poder Executivo, que, em grande medida, são os investimentos públicos. Então, os investimentos públicos ficam comprometidos quando se tem um crescimento muito acelerado de outras despesas obrigatórias”, conclui Andrade.



