Shakira ainda não se apresentou no Rio de Janeiro, mas o show "Todo Mundo no Rio", previsto para 2 de maio, já gera polêmica. A dúvida é se a colombiana superará os recordes de público de Madonna e Lady Gaga, que, segundo a Rio Tur, reuniram 1,6 milhão e 2,1 milhões de pessoas, respectivamente. No entanto, um estudo exclusivo da USP, obtido por VEJA, contesta esses números.
Pesquisa da USP revela números irreais
A professora de turismo da USP, Mariana Aldrighi, afirma que os gestores do evento sabem que o público real gira em torno de 700 mil a 800 mil pessoas. "As decisões sobre segurança, transporte e banheiros químicos precisam de estimativas realistas", explica. A equipe da USP usou mapas digitais do Data.Rio para calcular a área disponível em Copacabana, desconsiderando obstáculos como postes e árvores.
Simulação mostra aglomeração perigosa
Para acomodar 2,1 milhões de pessoas apenas na faixa de areia, seria necessário ocupar toda a praia, inclusive atrás do palco, com densidade de 9 pessoas por metro quadrado. Isso é comparável a um metrô lotado e representa alto risco de pisoteamento. "Especialistas em multidões afirmam que qualquer número acima de 1 milhão na área entre o Copacabana Palace e a Praça do Lido causaria tumultos com risco de mortes", alerta Aldrigui.
Ocupação de ruas e avenidas
Considerando ruas e avenidas, como a Atlântica, o mesmo público exigiria ocupar quarteirões inteiros do bairro. A professora defende que o sucesso do evento deve ser medido pela atenção mundial gerada, não pelo número de pessoas. "Mesmo 500 mil pessoas já seriam 10 estádios lotados, maior que muitas turnês na América do Sul", destaca.
Crítica à desinformação institucional
Para Aldrigui, gestores públicos inflam números para parecerem bem-sucedidos, o que é uma forma de desinformação que prejudica o debate democrático sobre prioridades urbanas. "Se a base é mentirosa, qualquer estratégia é frágil. A cidade que não sabe quantas pessoas foram a um show pode também não saber quantas precisam de moradia, transporte ou saúde", conclui.



