Velório de Luis Fernando Verissimo: Porto Alegre se Despede do Gigante da Literatura Brasileira
Velório de Verissimo na Assembleia Legislativa do RS

Porto Alegre respira um silêncio diferente nesta quarta-feira. O tipo de quietude que só a dor coletiva consegue criar. Na Assembleia Legislativa, uma fila que mais parece um rio humano serpenteia pelos corredores — gente comum, famosos, políticos, todos igualados pela mesma perda irreparável.

Aos 88 anos, Luis Fernando Verissimo partiu. E que vazio ele deixa! Não é exagero dizer que a inteligência brasileira perdeu uma de suas vozes mais afiadas e, paradoxalmente, mais gentis.

O velório, sabia decisão, acontece no Salão Júlio de Castilhos. Das 10h às 16h, o povo gaúcho — e quem mais quiser vir — pode se despedir. Não é todo dia que um escritor recebe honras de estado, mas Verissimo não era todo mundo. Era, nas palavras de um admirador que esperava há quase meia hora na fila, "um patrimônio que a gente achava que era eterno".

Um Homem de Muitos Talentos e uma Humildade Só

Crônico, romancista, humorista, músico... Tentar definir Verissimo é como tentar guardar o vento numa caixa. Ele simplesmente transbordava. Seus textos, aquelas crônicas que pareciam conversar diretamente com a gente, ficaram. Ficam. E ficarão.

O governador Eduardo Leite não economizou palavras: "perda irreparável". E é isso. Como vai ficar a quinta-feira sem uma nova piada inteligente sobre os absurdos do cotidiano? Quem vai explicar o Brasil para os brasileiros com tanto humor e tanta dor?

A família, é claro, está arrasada. Mas manteve a elegância que sempre caracterizou o clan Verissimo. Pediram privacidade, sim, mas também entenderam que ele não era só deles. Era de todos nós.

O Admirável Mundo Sem Verissimo

É difícil imaginar a cultura brasileira dali para frente. Suas crônicas não eram apenas divertidas — eram um bisturi afiado dissecando a sociedade, a política, as pequenas e grandes hypocrisias humanas.

Ele fazia rir, sim, mas também fazia pensar. Quantos escritores conseguem essa proeza? Pouquíssimos. E ele o fazia com uma aparente facilidade que só os verdadeiros gênios possuem.

O corpo está sendo velado, mas o legado? Ah, o legado está espalhado em milhares de livros, em milhões de risadas, em incontáveis momentos de reconhecimento — "é exatamente isso que eu pensava, só que eu não sabia como dizer".

Porto Alegre chora. O Brasil chora. Mas, sabe? Ele certamente detestaria toda esta comoção. Preferiria que lessem um livro seu, que rissem de uma piada antiga, que continuassem vivendo. Porque a vida, com todas suas idiossincrasias, era sua matéria-prima favorita.

Descanse em paz, mestre. E obrigado por tudo.