Maior museu da América Latina leva arte contemporânea a parque geológico no Paraná
MON leva arte contemporânea a parque geológico no Paraná

Maior museu da América Latina leva arte contemporânea a parque geológico no Paraná

O Museu Oscar Niemeyer (MON), reconhecido como o maior museu de arte da América Latina, deu um passo significativo na expansão de suas fronteiras ao inaugurar uma exposição permanente no Parque Estadual Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A iniciativa marca uma nova fase do projeto "MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre", que começou com intervenções artísticas na área externa do museu em Curitiba e agora avança para integrar arte contemporânea a formações geológicas com mais de 180 milhões de anos.

Diálogo entre arte e natureza

Em contraste marcante com os arenitos esculpidos pela natureza ao longo de milênios, seis obras criadas especialmente para o local por artistas contemporâneos compõem a exposição "MON sem Paredes – Vila Velha". Segundo o curador Marc Pottier, todas as peças foram concebidas especificamente para este ambiente, refletindo sobre a narrativa de Vila Velha e o significado de estar em plena natureza. "São artistas que estão pensando o que significa a narrativa de Vila Velha e o que significa estar em plena natureza", detalhou Pottier.

Entre as obras destacadas está "Reconstrução", de Tom Lisboa, feita com aço inoxidável em forma de malha metálica fina que cria uma chama prateada. A peça, propositalmente porosa, permite que o vento a atravesse e ajude em sua transformação contínua, assim como ocorreu com os próprios arenitos ao longo dos séculos. "Ela vai se transformar com o passar dos anos. Eu sei como ela está hoje, ela está prateada, ela está limpa, ela está brilhando. Daqui a pouco eu não sei como é que ela vai ficar e quero ver o que a natureza vai trazer para dentro dela", compartilhou o artista.

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Reflexões sobre tempo e humanidade

A exposição apresenta diversas abordagens artísticas que dialogam com o ambiente natural:

  • Alexandre Vogler apresenta "Maca", um conjunto de três estruturas dispostas em ângulo de 40º que servem como suporte para contemplação dos arenitos, com função servil à grandiosidade natural.
  • Denise Milan criou "O Vazio e a Pedra", propondo um novo olhar e perspectiva aos visitantes sobre os mistérios geológicos.
  • Sonia Dias Souza levanta uma reflexão ética sobre os limites da ação humana frente à natureza com a obra "Anathema", composta por peças que se unem como um quebra-cabeça rente ao chão.
  • Kulikyrda Mehinako conecta simbolicamente o Xingu com Vila Velha através das obras "Totem.Tatu" e "Totem Urubu.Rei", utilizando materiais como madeira piranheira, urucum e resina de ingá.
  • Gustavo Utrabo apresenta "Imaginei um Vento Pintado", utilizando vidro laminado sobre estrutura metálica com grãos que remetem à areia vermelha dos arenitos.

Descentralização cultural como missão

A diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, destacou que o projeto "MON sem Paredes" representa uma importante estratégia de descentralização do acesso à cultura. "Quando levamos obras de arte até onde está a população, além de sensibilizarmos o grande público, que talvez não tenha o hábito de entrar num museu, oferecemos um ambiente de pausa, de desaceleração, de reconexão interior", explicou.

A integração entre arte contemporânea e patrimônio natural no Parque Estadual Vila Velha não apenas amplia o alcance das atividades museológicas, mas também estabelece um diálogo profundo entre criação humana e processos geológicos milenares. A instituição já planeja uma nova fase da mostra, com previsão de mais seis obras em outros pontos do parque, reforçando seu compromisso com a expansão democrática da experiência artística.

Através de dicotomias entre efêmero e eterno, humano e natural, a exposição "MON sem Paredes – Vila Velha" convida os visitantes a uma reflexão sobre o tempo, nossa posição no mundo e as incertezas que definem a condição humana frente às maravilhas naturais que nos cercam.

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