Memorial dos Mamonas Assassinas resgata tradição milenar com jacarandás
Foi inaugurado nesta semana em Guarulhos, na grande São Paulo, um memorial funerário dedicado aos membros dos Mamonas Assassinas, marcando os 30 anos do trágico acidente aéreo que vitimou a banda em março de 1994. A homenagem utiliza jacarandás plantados para representar cada um dos músicos, seguindo uma tendência ambiental contemporânea que incentiva o plantio de árvores como tributo aos falecidos.
Raízes antigas: do Egito aos povos nórdicos
Essa prática, porém, possui origens profundamente enraizadas na história humana. Os primeiros registros remontam ao antigo Egito, onde árvores eram vistas como símbolos de vida eterna e renascimento. Em 2017, arqueólogos espanhóis descobriram as ruínas de um jardim funerário que adornava uma tumba egípcia com mais de 2000 anos, confirmando relatos pictóricos milenares. Em uma das imagens mais emblemáticas, a deusa Nut emerge de uma árvore para oferecer água e alimento ao falecido no além.
Outras culturas antigas também compartilhavam essa visão simbólica. Os celtas consideravam o Carvalho sagrado, acreditando que plantá-los mantinha o espírito vivo na natureza. Já os nórdicos viam em uma árvore sagrada a conexão entre nove mundos, incluindo o dos vivos e dos mortos, plantando mudas próximas aos túmulos como guia espiritual.
Prática moderna: do judaísmo aos memoriais florestais
Hoje, o hábito de plantar árvores em homenagem aos mortos permanece forte, especialmente na cultura judaica em Israel. Além disso, bosques e florestas memoriais ao redor do mundo promovem essa prática, muitas vezes utilizando as cinzas dos falecidos como adubo para as mudas.
No caso dos Mamonas Assassinas, os corpos de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli foram exumados e cremados, com parte das cinzas servindo para adubar os jacarandás que os representam no memorial. Essa abordagem combina tradição ancestral com consciência ecológica, criando um legado vivo que transcende gerações.
O memorial em Guarulhos não apenas honra a memória da banda, mas também conecta-se a um simbolismo universal, demonstrando como as árvores continuam a ser um elo poderoso entre o passado e o presente, a vida e a morte, em diversas culturas ao longo da história.
