Museu em Salvador recebe maior repatriação de obras de arte afro-brasileiras do Brasil
Maior repatriação de arte afro-brasileira chega a Salvador

Maior repatriação de obras de arte afro-brasileiras chega a Salvador

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), situado no Centro Histórico de Salvador, anunciou nesta segunda-feira, 26 de fevereiro, um evento histórico para a cultura nacional. A instituição recebeu a maior repatriação de obras de arte já realizada no Brasil, com um total de 666 peças de artistas afro-brasileiros. Essas obras, que faziam parte de uma coleção privada mantida por duas colecionadoras estadunidenses por mais de três décadas, agora integram o acervo permanente do museu, enriquecendo o patrimônio cultural da Bahia e do país.

Processo logístico e chegada das obras

As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro, após um complexo processo logístico internacional que envolveu múltiplas etapas. Isso incluiu embalagem especializada para garantir a preservação, adequação rigorosa às normas de conservação museológica, trâmites alfandegários detalhados e transporte técnico especializado. A operação foi essencial para assegurar que as peças, muitas delas frágeis e de valor inestimável, fossem entregues em condições ideais para exposição e estudo futuro.

Evento de anúncio e autoridades presentes

O anúncio oficial foi marcado por um evento que contou com a presença de importantes autoridades e figuras públicas. Entre os participantes estavam a ministra e cantora Margareth Menezes, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, e a presidenta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A cerimônia destacou a importância cultural e simbólica desta repatriação, reforçando o compromisso do governo e de instituições culturais com a valorização da arte afro-brasileira.

Diversidade das obras e artistas representados

A coleção repatriada é composta por uma ampla variedade de tipologias artísticas, incluindo pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras e estampas. Entre os artistas presentes, destacam-se nomes fundamentais da produção afro-brasileira, como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim, entre muitos outros. Esses criadores representam diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas, oferecendo uma visão abrangente e diversificada da contribuição negra para as artes visuais no Brasil.

Significado histórico e cultural da repatriação

Para o MUNCAB, esta repatriação representa um marco significativo para o campo das artes visuais, da museologia e da cultura brasileira como um todo. Ela reverte um fluxo histórico preocupante, caracterizado pela saída, apagamento e dispersão de obras produzidas por artistas negros, que frequentemente foram excluídos dos circuitos institucionais, do mercado de arte e da historiografia oficial. Ao trazer essas peças de volta ao Brasil, o museu não apenas preserva a memória cultural, mas também promove a inclusão e o reconhecimento desses artistas, fortalecendo a identidade afro-brasileira e inspirando futuras gerações.