Exposição 'Cosmoguiné' no MAC usa erva sagrada da Umbanda para editar fotografias
MAC exibe obra onde erva-da-guiné edita fotografias

Exposição 'Cosmoguiné' transforma erva sagrada da Umbanda em agente criativo no MAC

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) prepara-se para inaugurar, a partir deste sábado, 7 de março de 2026, a exposição Cosmoguiné, primeira mostra individual do jovem artista Ian Cheibub. Com apenas 26 anos, Cheibub apresenta um trabalho inovador que desafia as fronteiras convencionais da fotografia, estabelecendo uma colaboração direta com a erva-da-guiné, planta sagrada na religião de Umbanda.

Processo artístico único com a erva-da-guiné

O cerne da exposição reside na atuação ativa da planta sobre o material fotográfico. Em vez de meramente fotografar a guiné, Ian submete filmes tradicionais a banhos especiais preparados com a erva, permitindo que ela interaja quimicamente com a emulsão. Esse processo resulta em ações de corrosão, apagamento, edição e revelação das imagens, conferindo-lhes um caráter orgânico e imprevisível.

"Durante minha pesquisa, eu apliquei a transdisciplinaridade e multiplicidade de utilizações da própria Guiné na minha prática artística", explica o artista, que convive com a planta desde a infância, sendo integrante de um terreiro de Umbanda localizado no morro do Bumba, em Niterói.

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Instalação monumental e ritual de abertura

A exposição inclui uma impressionante impressão fotográfica de 2,80 metros por 40 metros, que envolve completamente a sala expositiva, transformando a fotografia em um ambiente contínuo e imersivo. Esta obra monumental convida os visitantes a experienciarem a arte de maneira expandida e sensorial.

Na cerimônia de abertura, a rampa icônica do MAC será palco de uma lavagem ritual conduzida pela tia e pelo pai de Ian Cheibub, ambos reconhecidos como pais de santo com mais de três décadas de atuação na comunidade religiosa de Niterói. Este momento marca a integração entre a prática artística contemporânea e as tradições espirituais da Umbanda.

Significado cultural e religioso

A exposição Cosmoguiné não se limita a uma exploração técnica; ela representa um profundo diálogo com a herança cultural e religiosa do artista. Ao empregar a erva-da-guiné não apenas como tema, mas como coautora das obras, Ian Cheibub ressignifica o uso ritualístico da planta, elevando-a a um agente criativo central no processo artístico.

Esta abordagem inovadora destaca a importância da transdisciplinaridade e da valorização das tradições afro-brasileiras no cenário da arte contemporânea, oferecendo uma reflexão sobre identidade, memória e espiritualidade.

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