Luis Fernando Verissimo: O Mestre das Palavras e Traços que Encantou o Brasil
Luis Fernando Verissimo: O Mestre das Palavras e Traços

Era impossível não se render ao seu talento. Luis Fernando Verissimo — ah, esse sujeito tinha uma coisa rara, sabe? Uma dessas mentes brilhantes que conseguiam dançar entre palavras e traços com uma naturalidade de deixar qualquer um boquiaberto.

Quando a notícia partiu, naquela manhã cinzenta de quinta-feira, parecia que o Brasil inteiro prendia a respiração. Setenta e seis anos. Setenta e seis anos de uma existência que entrelaçou humor, crítica afiada e uma sensibilidade humana fora do comum.

Filho do grande Érico Verissimo — sim, a maçã não caiu longe da árvore, mas rolou para um lado todo próprio —, Luis Fernando não apenas carregou o nome, mas reinventou-o. Criou um universo singular onde o nonsense encontrava a sabedoria, e o cotidiano virava pura poesia.

Muito Mais que um Cronista

Chamá-lo apenas de 'escritor' ou 'cartunista' é contar a história pela metade. Era um contador de causos, um observador implacável da alma brasileira. Suas crônicas nos jornais? Eram como aquela conversa de boteco que, de repente, te faz questionar a vida toda.

E os desenhos? Meu Deus, os desenhos! As famosas tirinhas da Veja e do O Globo... Eles não eram só para rir. Eram um soco no estômago disfarçado de risada. Falavam de política, de costumes, daqueles nossos jeitinhos mais esquisitos — e tudo com uma simplicidade que só os muito sábios conseguem atingir.

Quem nunca se viu refletido naquele personagem perdido no mundo, tentando encontrar um pouquinho de sentido no caos?

O Legado que Fica

O que dói não é só a perda do artista. É a falta daquele farol que, semana após semana, iluminava nossas maluquices com gentileza e um humor que não machucava ninguém — ou machucava só onde precisava.

Ele nos mostrou que dá para ser profundo sem ser chato. Agudo sem ser cruel. Inteligente sem se levar a sério demais. Num país tão cheio de gritaria, a voz dele sempre chegou sussurrando — e, paradoxalmente, era a que a gente ouvia mais claro.

O câncer levou o corpo, isso é verdade. Mas o que Luis Fernando Verissimo construiu — aquela vastidão de textos, desenhos, ideias e risos — isso fica. E como fica.

O Brasil perdeu uma de suas vozes mais queridas. E a gente, cada um de nós que cresceu lendo suas linhas, perdeu um pouquinho do colo. Mas, olhando para trás, vemos que ele não se foi não. Está ali, em cada página amarelada, em cada tirinha compartilhada, em cada piada que ainda ecoa por aí. Eterno, como só os grandes sabem ser.