Jaqueta e bicho de pelúcia intactos são descobertos durante exumação dos Mamonas Assassinas em Guarulhos
A família do guitarrista Alberto Hinoto, o Bento dos Mamonas Assassinas, expressou profunda satisfação com a criação de um memorial dedicado aos integrantes da banda no Cemitério Primaveras, localizado em Guarulhos, na Grande São Paulo. Os cinco membros do grupo faleceram tragicamente no dia 2 de março de 1996, vítimas de um acidente aéreo na Serra da Cantareira. Recentemente, os corpos de Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio foram exumados para que parte de suas cinzas seja utilizada como adubo no plantio de árvores nativas, simbolizando a continuidade da vida.
Simbolismo da vida e essência preservada
Conforme relatado por Cláudia Hinoto, cunhada de Bento, a árvore representa a vida e permite que a "essência" do artista permaneça viva no espaço memorial. "A família do Bento está bastante feliz com essa homenagem porque uma árvore é o símbolo da vida. Então, não existe uma homenagem mais bonita do que colocar a essência do Alberto nessa árvore. Dessa maneira, você tocando a árvore, você acredita que você vai conseguir sentir a essência da pessoa porque não deixa de ser uma matéria viva ali", destacou ela emocionada.
Achados surpreendentes durante a exumação
Durante o processo de exumação, foram encontrados dois itens em condições notáveis:
- Uma jaqueta intacta sobre o caixão de Dinho, vocalista da banda, que apresentava símbolos da banda e a bandeira do Brasil.
- Um bicho de pelúcia, em bom estado de conservação, localizado sobre o caixão de Bento.
O CEO da marca Mamonas, Jorge Santana, esclareceu que a jaqueta havia sido colocada sobre o caixão do vocalista no dia do enterro, sendo do mesmo modelo daquela flagrada no local do acidente pela equipe da TV Globo, porém na cor vermelha. "O que sabemos é que essa jaqueta foi jogada por uma pessoa da equipe dos Mamonas e não pela então namorada, a Valéria. Estava sobre o caixão, na parte de cima, e encontramos ela intacta mesmo", explicou Santana.
Explicação científica para a preservação
A descoberta da roupa intacta gerou diversas especulações nas redes sociais, mas a razão está no material utilizado. Conforme explicou Fabrício Stocker, professor da FGV, a jaqueta era confeccionada em nylon, um tipo de plástico que pode levar até 200 anos para se decompor em condições naturais. "É um material de duração praticamente eterna. Considerando que ela estava enterrada, esse tempo pode ser ainda maior", afirmou o especialista.
Destino dos itens encontrados
Segundo Hildebrando Alves Leite, pai de Dinho, a família pretende encaminhar a jaqueta para o museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos, onde integrará um acervo em exposição permanente. Já o bicho de pelúcia, cuja origem é atribuída a um fã que o entregou à mãe de Bento, será exposto no memorial dedicado à banda no Cemitério Primaveras. "Durante a exumação vimos que o ursinho de pelúcia estava bem em cima da urna, praticamente intacto. Agora, pretendemos deixar no memorial que será feito para eles", afirmou Claudia Hinoto.
Memorial ecológico e tecnológico
Os corpos dos integrantes foram exumados para que as cinzas sejam depositadas em cinco jacarandás, um para cada artista, no Jardim BioParque Memorial Mamonas. Este espaço, que ainda não tem data de inauguração definida, será um "memorial vivo" que une natureza, tecnologia e memória. Cada árvore terá identificação nominal e recursos digitais para acompanhamento do crescimento em tempo real, além de acesso a conteúdos multimídia da banda.
Jorge Santana enfatizou que a proposta foi aprovada unanimemente pelas famílias e visa transformar o local em um espaço de vida e homenagem permanente. "A ideia foi tirar da lógica de túmulo estático e transformar em um espaço de vida, encontro e homenagem permanente", declarou.
Integração cultural e futuros projetos
Guarulhos, cidade natal da banda, deve integrar o memorial à sua rota cultural, com expectativa de se tornar um ponto permanente de visitação. Além disso, a família estuda a criação de um museu dedicado ao grupo e a ampliação das ações do Instituto Mamonas Assassinas, que já desenvolve projetos sociais.
Paralelamente, a TV Globo apresentará no dia 2 de março o documentário 'Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú', que relembra a trajetória da banda com depoimentos exclusivos de familiares e personalidades impactadas pelo grupo, marcando os trinta anos de sua despedida inesperada.



