Grafiteiro transforma cientista brasileira em arte urbana em Uberlândia
A cientista Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina – substância que pode ajudar pessoas com lesões na medula espinhal a recuperar movimentos – foi imortalizada em um mural de grafite no bairro Martins, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A obra é criação do artista Tiago Dequete, que coloriu o muro de um prédio na Rua Carmo Gifoni, número 322, com a imagem da pesquisadora.
Homenagem à "maior influenciadora deste país"
Nas redes sociais, Dequete se referiu a Tatiana Sampaio como a "maior influenciadora deste país" ao anunciar a nova obra, descrita como uma singela homenagem à pesquisadora que "está ajudando muita gente a ficar de pé". Nos comentários, internautas parabenizaram o artista por dar visibilidade tanto à cientista quanto à ciência brasileira. "Belíssima homenagem!!! Viva a ciência! Viva as mulheres! Viva a arte!", escreveu uma seguidora.
Ao lado da figura de Tatiana, o grafiteiro representou elementos de sua pesquisa pioneira e 100% nacional, incluindo um frasco do medicamento e a estrutura da proteína laminina – em formato de cruz – que, ao se agrupar, dá origem à polilaminina.
Trajetória de homenagens a personalidades brasileiras
Esta não é a primeira vez que Dequete homenageia personalidades brasileiras que elevaram o nome do país internacionalmente. Em janeiro, o ator Wagner Moura virou arte urbana no Beco do Planalto após vencer o Globo de Ouro. Antes dele, a atriz Fernanda Torres, que trouxe para o Brasil o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama em 2025, também foi retratada.
Natural de Belo Horizonte, Dequete mora em Uberlândia desde 2013 e colore a cidade com sua paleta característica de tons verde, laranja e azul. Sua arte também retrata pessoas comuns e provoca reflexões sociais, espalhando cultura de forma democrática pela cidade.
Quem é Tatiana Sampaio e sua pesquisa revolucionária
Tatiana Coelho Sampaio é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Desde 1997, a cientista estuda a polilaminina, uma versão derivada da laminina – proteína produzida naturalmente pelo corpo humano – desenvolvida em laboratório.
No início deste ano, o resultado de quase três décadas de pesquisa se transformou em um medicamento 100% brasileiro, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de estudos clínicos.
Potencial transformador da polilaminina
A pesquisa de Tatiana Sampaio conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. O estudo extraiu proteínas de placentas e aplicou a substância em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
Os resultados preliminares indicam que a polilaminina teria sido capaz de recriar conexões entre neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis pacientes. Um caso especialmente notável é o de um paciente que estava paralisado do ombro para baixo e voltou a andar sozinho.
Próximos passos da pesquisa
Agora, a polilaminina deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e entra na primeira fase de testes para aprovação como medicamento pela Anvisa. Nesta etapa inicial, as equipes vão avaliar a segurança do uso da substância, observando se ela provoca reações adversas.
Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação de polilaminina até 48 horas após o trauma. Segundo o protocolo, elas serão acompanhadas por seis meses. Caso não sejam registradas reações adversas graves, terão início as próximas fases do estudo clínico, que vão avaliar se a polilaminina é, de fato, eficaz para devolver movimentos ao corpo.
Antes mesmo do início dos testes formais, pacientes com lesões na medula já estão acionando a Justiça em busca do tratamento experimental, demonstrando a esperança que a pesquisa de Tatiana Sampaio tem gerado na comunidade médica e entre aqueles que aguardam por avanços na recuperação de movimentos.



