Bridgerton 4 e o Fenômeno das Séries de Época Coloridas
A Netflix está prestes a lançar a quarta temporada de Bridgerton, um dos seus maiores sucessos, que continua a revolucionar o gênero de séries de época. Desta vez, a trama introduz uma mocinha asiática no cenário da Inglaterra do século XIX, provando que a diversidade é um ingrediente essencial para conquistar audiências globais.
Uma Nova Heroína no Século XIX
Na nova fase, o libertino Benedict Bridgerton, interpretado por Luke Thompson, participa de um baile de máscaras apenas para agradar sua mãe, sem interesse nas debutantes da alta sociedade. No entanto, ele se encanta por uma moça misteriosa com traços asiáticos, que ele apelida de Dama Prateada devido à cor de seu vestido.
Por trás da máscara está Sophie Baek, vivida pela atriz Yerin Ha, uma criada que invade a festa da elite apenas por diversão, mas acaba se apaixonando pelo solteirão mais cobiçado da temporada. Essa narrativa romântica e cheia de sensualidade é um exemplo do que faz de Bridgerton um fenômeno cultural.
Diversidade como Mote Principal
A série, criada por Shonda Rhimes, tem como principal atrativo a celebração da diversidade étnica e sexual, injetando um colorido moderno em ambientes históricos tradicionalmente monocromáticos. Essa abordagem, que abraça o anacronismo sem pudor, tem se mostrado uma fórmula de sucesso, atraindo milhões de espectadores ao redor do mundo.
Baseada nos livros de Julia Quinn, a adaptação da Netflix diverge significativamente da obra original, que apresentava personagens exclusivamente brancos e heterossexuais. Desde a primeira temporada, lançada em 2020, a série incluiu um galã negro, e na segunda fase, Simone Ashley, atriz de ascendência indiana, foi a par romântico do primogênito da família Bridgerton.
A terceira temporada radicalizou ao empoderar a protagonista Penelope, interpretada pela atriz irlandesa Nicola Coughlan, libertando-a de uma dieta imposta nos livros. Agora, a quarta temporada atinge um novo pico de diversidade ao apresentar uma jovem de origem sul-coreana como interesse amoroso de um nobre inglês, que também possui uma sexualidade fluida.
Impacto Cultural e Econômico
A aposta em produções de época que fogem ao padrão estético clássico não é apenas um gesto de inclusão, mas também uma estratégia comercial inteligente. Ao provocar identificação em assinantes de diversos cantos do mundo, Bridgerton revitaliza um gênero tradicionalmente anglo-saxão.
Yerin Ha, a atriz que interpreta Sophie Baek, revelou que nunca se conectou com dramas de época no passado, justamente pela falta de personagens com os quais pudesse se identificar. Essa mudança na representação tem um impacto significativo na audiência e na economia.
Em um evento na Bolsa de Valores de Londres, a Netflix divulgou que a série injetou 275 milhões de libras, equivalentes a quase 2 bilhões de reais, na economia britânica. Além disso, a série popularizou o estilo Regencycore, que revive a moda da era regencial, gerando lucros adicionais.
Inspiração para a Concorrência
O sucesso de Bridgerton inspirou outras plataformas a investirem em produções similares. A Apple TV lançou Os Bucaneiros, baseada no romance inacabado de Edith Wharton, que apresenta um romance lésbico e um casamento inter-racial sem entraves históricos.
Já a HBO Max estreou A Idade Dourada, que mostra famílias negras exercendo poder na elite nova-iorquina no início do século XX. No entanto, é o spin-off Rainha Charlotte que sintetiza as liberdades históricas dessa nova safra, partindo de uma vaga especulação sobre a ascendência africana da rainha consorte para criar uma narrativa inclusiva.
O Futuro das Séries de Época
Enquanto algumas empresas de entretenimento recuam em iniciativas de diversidade por medo de perder audiência conservadora, Bridgerton segue firme, com sua primeira e terceira temporadas figurando no Top 10 de séries mais vistas de todos os tempos da Netflix.
Essa tendência de colorir a história com representatividade não apenas diverte, mas também promove uma reflexão sobre como o passado pode ser reinterpretado para incluir vozes que foram silenciadas. Com a quarta temporada prestes a estrear, fica claro que o apelo por séries de época diversificadas só tende a crescer, moldando o futuro do entretenimento global.