Biblioteca de Porto Alegre homenageia Caio Fernando Abreu com vitrine temática
Biblioteca homenageia Caio Fernando Abreu com vitrine temática

Biblioteca de Porto Alegre presta tributo a Caio Fernando Abreu com vitrine especial

Três décadas após sua partida, o legado do escritor Caio Fernando Abreu continua vivo e sendo celebrado na capital gaúcha. A Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães inaugurou uma vitrine temática dedicada ao autor, marcando os 30 anos de sua morte, ocorrida em 25 de fevereiro de 1996.

Exposição reúne treze obras do autor

A homenagem especial apresenta treze obras de Caio Fernando Abreu em destaque, todas disponíveis para visitação pública e empréstimo aos associados da biblioteca. Entre os títulos expostos estão "Morangos mofados", sua celebrada coletânea de contos publicada em 1982, e o romance "Onde andará Dulce Veiga?", de 1990.

"Ele marcou sua geração ao abordar temas como sexo, medo, morte e solidão. Deixou este plano terrestre, mas sua obra é atemporal", afirma Flavia Monte, diretora da biblioteca. A vitrine permanecerá em exibição até o dia 6 de março, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar ou descobrir a produção literária do autor.

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Como acessar as obras

Para se tornar sócio da biblioteca e realizar empréstimos das obras de Caio Fernando Abreu, é necessário apresentar:

  • Documento de identidade com foto
  • Comprovante de residência atualizado

O cadastro é completamente gratuito. A Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães está localizada na Avenida Érico Veríssimo, 307, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Trajetória de um escritor fundamental

Caio Fernando Abreu, natural de Santiago no Rio Grande do Sul, faleceu aos 47 anos em Porto Alegre em decorrência de complicações relacionadas ao HIV/Aids. Sua carreira multifacetada incluiu atuações como:

  1. Jornalista
  2. Dramaturgo
  3. Escritor premiado com três Jabutis

Formado em Letras e Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Abreu foi uma figura de grande representatividade por ser abertamente gay em um período de restrições sociais. Durante a Ditadura Militar brasileira, chegou a ser perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), o que o levou a se mudar para Campinas, no interior de São Paulo.

Na década de 1970, o autor residiu em países como Inglaterra e França, ampliando suas referências culturais. Nos anos 1990, assumiu publicamente ter contraído o vírus HIV e tornou-se um importante porta-voz sobre o tema, contribuindo para a conscientização da sociedade.

Descoberta recente: poema inédito

Em 2023, a família do escritor realizou uma descoberta emocionante: um poema inédito de Caio Fernando Abreu foi encontrado entre pertences de uma familiar em uma casa de Gramado, na Serra gaúcha. Escrito em papel decorado, o texto sem título homenageia o sítio onde o autor se hospedou em 1989, durante uma visita ao Rio Grande do Sul para participar do Festival de Cinema.

Os versos revelam a sensibilidade característica do escritor:

"No meio do silêncio e do verde
A presença de Deus fica mais clara.
Essa luz ilumina os porões da mente,
desfaz o mofo, espanta os fantasmas.
Com cuidado, chamo a isso de 'felicidade'
Ela pousa, muito leve, no telhado dessa casa."

A família já conhecia a existência dos versos, mas somente naquele ano encontrou o original, que estava guardado entre os pertences da filha do proprietário da propriedade visitada pelo autor.

Preservação da memória

A casa onde Caio Fernando Abreu viveu seus últimos anos, localizada no Bairro Menino Deus em Porto Alegre, foi demolida em 2022. A destruição do imóvel ocorreu sob protestos da Associação Amigos do Caio Fernando Abreu (AACF), que lutava pela preservação do espaço como local de memória do escritor.

A atual homenagem na biblioteca representa, portanto, uma forma importante de manter viva a herança literária e cultural deixada por um dos autores mais significativos da literatura brasileira contemporânea, cuja obra continua a dialogar com novas gerações de leitores.

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