
Trinta anos. Três décadas de uma doçura que não se apaga com o tempo — pelo contrário, só ganha mais sabor e história. Em Cuiabá, uma receita simples, quase íntima, de casadinho de goiabada, segue unindo gerações e adoçando a vida de quem cruza seu caminho.
Não é exagero dizer que algumas coisas nascem pra ficar. E o casadinho dessa família cuiabana é uma delas. Tudo começou nos anos 90, quase por acaso, com a Dona Maria — matriarca de mãos sábias e coração generoso. Ela não imaginava que aquele doce, feito inicialmente pra agradar os netos, se tornaria uma pequena lenda local.
Ah, e o segredo? Não é um só. São vários. Vão desde o ponto exato do brigadeiro — que não pode ser muito mole nem muito firme — até a escolha da goiabada, que precisa ser daquela bem encorpada, quase artesanal. "A gente não usa pressa", conta uma das netas, que hoje ajuda a manter a tradição. "Cada camada é feita no tempo certo, com cuidado. É quase uma meditação."
Não é só um doce — é memória afetiva
Quem prova, repete. E quem não prova... bem, fica só na vontade. O casadinho virou item obrigatório em festas de família, encontros de domingo e até encomendas de quem quer presentear com algo realmente especial.
E não pense que é só misturar goiabada com brigadeiro e pronto. Não mesmo. A textura, o equilíbrio entre o doce e o leve ácido da goiaba, a espessura das camadas… Tudo é milimetricamente — ou melhor, afetivamente — calculado.
Um legado que não para de crescer
Os anos se passaram, a família cresceu, e a receita — que antes só existia no caderninho de Dona Maria — ganhou o mundo. Bem, pelo menos o mundo cuiabano. Hoje, filhos, netos e até bisnetos ajudam a produzir, embalar e entregar o doce que já é quase um símbolo afetivo da cidade.
E o mais bonito? A tradição não para por aí. Novas variações vão surgindo — às vezes com queijo minas, outras com um toque de castanha —, mas a essência, aquela que nasceu há trinta anos na cozinha de Dona Maria, permanece intacta. E assim segue, docemente resistente ao tempo.
Quem sabe um dia a receita vire livro — ou pelo menos, um segredo passado adiante com carinho. Por enquanto, fica o gostinho de quero mais… e a certeza de que algumas tradições merecem mesmo ser eternas.