Scarlett Johansson estreia como diretora em 'A Incrível Eleanor' após carreira de sucesso
Scarlett Johansson, uma das atrizes mais versáteis de Hollywood, está embarcando em uma nova jornada em sua trajetória cinematográfica. Aos 41 anos, ela faz sua estreia como diretora de longas-metragens com o filme A Incrível Eleanor, que foi exibido no prestigiado Festival de Cannes, na França. A produção integrou a mostra Um Certo Olhar, dedicada a cineastas emergentes, e gerou grande expectativa no evento, embora sua chegada ao Brasil tenha sido mais discreta.
Uma transição natural na carreira
Johansson, que começou a atuar aos dez anos de idade, acumula uma carreira diversificada, com papéis em filmes autorais de diretores como Woody Allen e Wes Anderson, além de megaproduções como os nove longas da Marvel. Agora, ela assume a direção, um passo que considera uma evolução natural. "Foi tudo uma questão de tempo. Dirigir um filme é algo que te consome muito, de várias maneiras. Você realmente não pode fazer nada em paralelo", explicou a atriz em entrevista após a première em Cannes.
Ela destacou que a ideia de ser diretora orbita sua mente desde os 20 e poucos anos, mas só agora se sentiu preparada, após indicações ao Oscar, franquias multimilionárias como Vingadores e Jurassic World, e parcerias com cineastas renomados. "Não é uma questão de dar um outro rumo para a minha carreira, mas não acho que eu poderia ter feito este filme, com segurança, há dez anos", acrescentou.
O filme e suas inspirações pessoais
A Incrível Eleanor é uma dramédia que segue a história de uma mulher idosa, interpretada pela atriz June Squibb, de 95 anos, que enfrenta o luto após a morte de sua melhor amiga. O filme explora temas como independência, etarismo e memória, com um tom inspirado em produções noventistas. Johansson não escreveu o roteiro, que é de Tory Kamen, mas o projeto tem ligações profundas com sua história pessoal.
Com ascendência judia e descobertas sobre familiares que morreram no Gueto de Varsóvia, Johansson vê no filme uma forma de conectar-se com suas raízes. Além disso, a personagem de Eleanor remete à sua avó, que a apoiou no início da carreira. "Foi um sonho, porque pude trabalhar com alguém que dedicou 70 anos da sua vida ao ofício de ator", disse sobre a experiência de dirigir Squibb.
Desafios e ativismo feminista
A produção de A Incrível Eleanor foi um esforço coletivo, com Johansson utilizando sua rede de contatos para filmar em locações de Nova York, cidade onde nasceu. Ela enfatiza que o filme não foi feito visando lucro, mas como uma expressão artística. Paralelamente, a atriz-diretora reforça seu ativismo feminista, defendendo a importância de ouvir e considerar as ideias das mulheres na indústria cinematográfica.
"A melhor maneira de mudar esse desequilíbrio, principalmente nesta indústria, é simplesmente ouvir e considerar as ideias das mulheres. Essa é a melhor forma de apoiar diretoras", afirmou Johansson, que planeja dirigir mais no futuro, apesar dos desafios. "Há uma parte ruim de ser diretora. Você está sempre trabalhando. Quando a filmagem acaba, todo mundo sai para comer pizza junto, menos você, porque ainda tem que planejar o dia seguinte", concluiu.
Com A Incrível Eleanor, Scarlett Johansson não apenas expande seu legado em Hollywood, mas também marca um momento significativo em sua carreira, unindo experiência pessoal e profissional em um filme que promete ressoar com audiências em busca de histórias autênticas e emocionantes.
