Executiva do Oscar afirma que votantes não temem legendas e celebra cinema global
Oscar: votantes não têm medo de legendas, diz executiva

Executiva do Oscar celebra diversidade e afirma que votantes "não têm medo de legendas"

Em entrevista exclusiva à revista VEJA, Meredith Shea, diretora de Filiação, Impacto e Indústria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, destacou a crescente globalização do Oscar e a abertura dos votantes para produções em línguas não inglesas.

Shea, que ocupa o cargo desde 2023, supervisiona o braço estratégico da Academia responsável por expandir a representatividade internacional da premiação. Durante o evento realizado em 12 de março, a executiva enfatizou o compromisso da organização em acompanhar o cinema produzido fora de Hollywood.

Oscar se torna cada vez mais global

"Este é o oitavo ano consecutivo em que um filme em língua não inglesa é reconhecido na categoria de Melhor Filme", afirmou Shea. "Sinto que isso mostra o alcance global de nossos membros — eles estão assistindo a filmes e não têm medo de legendas. Estão consumindo todos esses trabalhos e os reconhecem em várias categorias."

A executiva ressaltou que, neste ano, há representação internacional em todas as categorias do Oscar, um reflexo da diversificação do corpo de votantes da Academia. Nos últimos dez anos, filmes indicados na categoria internacional têm alcançado outras disputas da premiação, demonstrando uma mudança significativa no perfil das produções reconhecidas.

Papel do Oscar no ecossistema cinematográfico mundial

Shea descreveu o Oscar como parte de um ecossistema global de celebração do cinema: "O que mais amo na indústria cinematográfica global é que ela é um lugar onde as pessoas se reúnem para celebrar a arte. Há festivais de cinema acontecendo 365 dias por ano, dos locais aos enormes, como Cannes, Veneza e Toronto."

Para a executiva, a premiação oferece uma plataforma para que artistas contem suas histórias e para que o público se conecte com cineastas de diferentes partes do mundo. "É bonito acompanhar estas obras ao longo de meses, observar que estão sendo exibidas em diferentes lugares, ou notar alguma que surge do nada e encanta os espectadores", completou.

Expansão internacional da Academia

A interação entre a Academia e instituições estrangeiras tem se intensificado nos últimos anos. "Somos uma organização global e, ao longo da última década, fizemos um grande esforço para garantir uma verdadeira representação do cinema mundial", explicou Shea.

No ano passado, 55% da nova turma de membros veio de mais de 60 países, demonstrando o compromisso da Academia em diversificar seu corpo de votantes. A organização tem participado ativamente de festivais internacionais, incluindo:

  • Participação anual no Festival de Cannes
  • Primeira visita ao Brasil para o Festival do Rio
  • Presença no Festival de Cinema de Morelia nos últimos cinco anos
  • Participação no Festival de Marrakech

"Não podemos ser apenas uma organização baseada em Hollywood ou mesmo apenas nos Estados Unidos", afirmou Shea. "Acho que isso cria um senso de comunidade. Adorei conhecer tantos membros brasileiros que talvez nunca tenham ido a Los Angeles."

Liberdade artística e conselhos para jovens cineastas

Sobre a presença de filmes com temáticas políticas no Oscar 2026, Shea foi enfática: "Estamos aqui para apoiar a liberdade artística de expressão. Este é um lugar onde as pessoas podem contar suas histórias e nosso papel é celebrar o cinema."

Para jovens que desejam ingressar na indústria cinematográfica, a executiva ofereceu conselhos práticos: "Eu diria aos jovens cineastas que simplesmente comecem. Hoje eles têm a capacidade de escrever uma história e gravá-la com o celular, criando assim um curta-metragem."

Shea também destacou a importância de acessar a história do cinema através de plataformas de streaming especializadas e encorajou os aspirantes a não se deixarem intimidar: "Também espero que eles não deixem que vozes externas ou qualquer pessoa os impeçam de contar suas histórias. Não digam a si mesmos que não é possível. Comece e espere para ver até onde isso pode chegar."

Brasil no Oscar 2026

Neste domingo, 15 de março, o Brasil concorre ao Oscar de melhor filme internacional, além de outras quatro categorias. Para Meredith Shea, a conquista é motivo de orgulgo e reflete o engajamento crescente do público brasileiro com a premiação, especialmente desde a indicação de Ainda Estou Aqui.

A executiva finalizou reforçando o papel unificador do cinema: "Esse apelo é muito parecido com o esporte: ele simplesmente reúne as pessoas em torno de algo que amam."