Morre aos 77 anos o cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário do Audiovisual e defensor do cinema brasileiro
Morre cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário do Audiovisual

Morre aos 77 anos o cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário do Audiovisual

O cineasta, documentarista e gestor cultural Silvio Da-Rin faleceu na madrugada desta quinta-feira (29), aos 77 anos, na cidade do Rio de Janeiro. De acordo com informações de familiares, ele estava internado há um longo período, mas a causa específica da morte não foi divulgada publicamente. O velório está previsto para sexta-feira (30), às 16 horas, no Cemitério São Francisco de Paula, localizado no bairro do Catumbi, na região central do Rio.

Trajetória marcada pelo cinema e pela política cultural

Nascido em 1949 no Rio de Janeiro, Silvio Da-Rin construiu uma carreira diversificada e influente, atuando como diretor, técnico de som e formulador de políticas públicas para o setor audiovisual. Sua trajetória foi marcada pela defesa do cinema brasileiro e pelo uso do documentário como ferramenta de reflexão sobre a história política e social do país.

Antes de se firmar como diretor, Da-Rin teve uma atuação extensa nos bastidores do cinema nacional. Como técnico de som, participou de aproximadamente 150 produções, incluindo títulos importantes da retomada do cinema brasileiro, como:

  • Pequeno Dicionário Amoroso
  • Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão
  • Quase Dois Irmãos

Obras cinematográficas e reconhecimento

Na direção, Silvio Da-Rin estreou em 1980 com o curta-metragem Fênix, que reuniu depoimentos de artistas e intelectuais sobre a repressão durante a ditadura militar. Ao longo dos anos, realizou obras significativas, como O Príncipe do Fogo, premiado no Festival de Gramado, e Igreja da Libertação.

O reconhecimento mais amplo de sua carreira veio com o documentário Hércules 56, lançado em 2006. O filme reconstitui o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick em 1969, um episódio marcante da resistência ao regime militar no Brasil. Em 2012, Da-Rin lançou o documentário Paralelo 10, que retratou as dificuldades enfrentadas por indígenas nativos na Amazônia, incluindo sua expedição em busca de tribos isoladas.

Atuação em políticas públicas e legado acadêmico

Além da produção cinematográfica, Silvio Da-Rin teve um papel relevante na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Entre 2007 e 2010, durante o governo Lula, atuou como secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura, quando Gilberto Gil era ministro. Nessa posição, participou da implementação de programas voltados ao fortalecimento da produção independente e à ampliação do conteúdo brasileiro na televisão.

Da-Rin também presidiu a Federação de Cineclubes e integrou a Associação Brasileira de Documentaristas. Na área acadêmica, deixou como referência o livro Espelho partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico, derivado de sua pesquisa de mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Repercussão e homenagens

O Ministério da Cultura (MinC) emitiu uma nota manifestando profundo pesar pelo falecimento do cineasta. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também se pronunciou, destacando que Da-Rin foi Gerente Executivo de Articulação Internacional e Licenciamento da EBC entre 2010 e 2012, com contribuição ativa para o fortalecimento da comunicação pública.

A Riofilme, em postagem nas redes sociais, lamentou a perda, afirmando que o cinema brasileiro perdeu hoje um cineasta que fez do documentário uma lente para se refletir e entender o Brasil. A nota ressaltou sua cinematografia profundamente política e integrada às questões que permeiam a história e a sociedade brasileira, celebrando obras como Hércules 56 e seu engajamento na construção de políticas públicas para o audiovisual.