Cinebiografia 'Michael' emociona com cenas musicais, mas deixa de lado a complexidade do Rei do Pop
A cinebiografia "Michael", que chega aos cinemas nesta terça-feira (21), apresenta uma narrativa envolvente sobre o lado musical do icônico astro, interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson. No entanto, o filme dirigido por Antoine Fuqua falha em explorar as múltiplas camadas e controvérsias que definiram a vida de Michael Jackson, resultando em uma visão parcial e simplificada do artista.
Acertos musicais e falhas narrativas
O longa-metragem acerta ao retratar com emoção e precisão a genialidade musical de Jackson, com cenas bem construídas que destacam a criação de álbuns como "Off The Wall" e "Thriller". A escolha de Jaafar Jackson para o papel principal é um dos pontos altos, graças a uma caracterização impressionante que captura a essência do tio. Contudo, a obra peca ao evitar temas cruciais, como as acusações de abuso sexual que envolveram o cantor, removidas do roteiro por questões legais.
O filme segue uma linha cronológica, começando pela infância de Michael e sua relação conturbada com o pai, Joseph Jackson, vivido por Colman Domingo. A narrativa mostra como o progenitor pressionava os filhos para o sucesso, mas acelera rapidamente para o período de fama, deixando de lado desenvolvimentos importantes. Por exemplo, o distúrbio de imagem do cantor é apenas brevemente mencionado durante uma cena de cirurgia no nariz.
Personagem infantilizado e omissões históricas
Em "Michael", o astro é retratado como uma figura infantilizada e amedrontada, que foge de conflitos e delega decisões a terceiros. Essa abordagem ignora polêmicas e embates reais, como a saída conturbada da gravadora Motown e os desentendimentos criativos com o produtor Berry Gordy. Além disso, a relação crucial com Quincy Jones, produtor de obras-primas como "Thriller", recebe pouca atenção, privando o público de entender uma das duplas mais importantes da música pop.
O filme também omite episódios marcantes, como a criação de Neverland, o vício em opioides após um acidente grave e a luta com o vitiligo. Essas lacunas impedem que o espectador conheça a complexidade de um personagem cheio de camadas, reduzindo-o a uma versão superficial e incompleta.
Conclusão e possíveis continuações
Ao final, "Michael" sugere uma continuação, mas sem abordar temas essenciais, o público perde a chance de mergulhar na verdadeira história do Rei do Pop. Embora as cenas musicais emocionem e a atuação de Jaafar Jackson impressione, o filme corre sem um motivo aparente, deixando de lado a oportunidade de explorar um ícone global em toda sua complexidade. Para fãs e curiosos, a obra serve como um tributo à música, mas falha como um retrato biográfico profundo.



