Documentário 'Melania' tem estreia solitária em SP com apenas um espectador na sala
Filme sobre Melania Trump tem estreia vazia em cinema de São Paulo

Documentário sobre Melania Trump tem estreia solitária em São Paulo com apenas um espectador

Na tarde de sexta-feira (30), o aposentado Fernando Passos, de 74 anos, sentou-se sozinho em uma sala de cinema no bairro da Pompeia, em São Paulo, para assistir à estreia do documentário Melania, sobre a ex-primeira-dama americana Melania Trump. Ele era o único espectador presente na sessão das 12h30, em um cenário que se repetiu com pouca variação em outras salas da capital paulista.

O único espectador e sua admiração por Melania Trump

Fernando Passos declarou-se admirador de Melania Trump, destacando seu estilo e presença em eventos públicos. "Gosto muito dela, porque ela é estilosa. Gosto daquele chapéu dela cobrindo os olhos nas celebrações, como nas posses. Acho que ela, além de interessante, é meio hilária", afirmou o aposentado. Ele atribuiu a baixa procura pelo filme ao horário inconveniente em um dia de semana, questionando: "Quem vem ao cinema nesse horário em dia de semana, além de aposentados como eu?".

Passos também se declarou apoiador do ex-presidente americano Donald Trump, descrevendo-o como um "negociador" e "businessman" que realiza "coisas muito positivas". Ele revelou que, após décadas de simpatia pela esquerda, mudou sua visão política devido a desilusões com governos petistas, definindo-se hoje como conservador. Ao final do documentário, elogiou a produção: "Foi um filmaço", resumiu.

Polêmicas e alto investimento da Amazon MGM

O documentário Melania acompanha a trajetória da ex-primeira-dama nos 20 dias que antecederam a posse de Donald Trump em 2025, durante seu retorno à presidência. A obra tem sido alvo de críticas por ser considerada "chapa-branca", sem conteúdo que desagrade Melania Trump, que exerceu controle editorial total sobre o filme. Isso levantou questões sobre a integridade artística e o valor jornalístico da produção.

Além disso, a produção recebeu um investimento de US$ 75 milhões da Amazon MGM Studios, valor muito superior ao comum para documentários. Segundo o jornal New York Times, esse montante inclui cerca de US$ 40 milhões pelo licenciamento e US$ 35 milhões em campanha de marketing. Analistas questionam os motivos por trás do gasto elevado, sugerindo que a Amazon pode estar tentando angariar favores com o governo Trump.

Sessões quase vazias em outras salas de São Paulo

O cenário de baixa audiência não se limitou à Pompeia. Em um shopping do Morumbi, a sessão das 14h20 contou com poucos espectadores, incluindo as amigas Suzan, de 68 anos, e Denise, de 62, que reclamaram do horário único disponível. "Tivemos que almoçar correndo pra conseguir chegar a tempo", criticou Suzan, que se declarou apoiadora de Trump. Denise foi mais comedida em comentários políticos.

Na mesma sessão, a aposentada Sônia Pansera assistiu ao filme por curiosidade, mas não se considera admiradora de Trump ou Melania. "Não sou totalmente a favor, nem totalmente contra o Trump. Acho que ele é impetuoso, fala muito e depois retrocede", afirmou. Além delas, havia outras quatro pessoas na sala, incluindo um crítico de cinema.

Em uma terceira sala, no bairro Bela Vista, a sessão das 16h teve seis espectadores, sendo um outro crítico. A baixa procura reflete uma tendência global: em Londres, por exemplo, o jornal The Guardian relatou poucas vendas de ingressos na estreia.

Distribuição limitada e perspectivas futuras

O filme continuará com exibições limitadas em São Paulo, com apenas uma sessão diária, majoritariamente no período da tarde, nos próximos dias. Mesmo no fim de semana, a procura permanece baixa: plataformas de ingressos mostram salas vazias ou com poucos assentos vendidos para sábado (31) e domingo (1).

A Amazon MGM, responsável pela distribuição, não respondeu a solicitações de comentário sobre a estratégia no Brasil. O documentário, apesar do alto investimento, enfrenta desafios para atrair público, levantando dúvidas sobre seu impacto comercial e cultural.