Ethan Hawke esperou 12 anos para ficar 'menos atraente' e estrelar Blue Moon
Ethan Hawke esperou 12 anos para ficar 'menos atraente'

Como a beleza de Ethan Hawke quase impediu a realização de um filme indicado ao Oscar

Uma curiosidade inusitada marcou a produção do longa-metragem Blue Moon, nono filme da frutífera parceria entre o ator Ethan Hawke e o diretor Richard Linklater. O projeto, que narra o fim decadente do compositor Lorenz Hart, quase não saiu do papel por um motivo surpreendente: Hawke era considerado "bonito demais" para interpretar o personagem histórico.

Uma espera de mais de uma década para ficar "menos atraente"

Durante um evento no prestigiado Festival de Veneza, Ethan Hawke revelou ao público uma anedota peculiar sobre o desenvolvimento do filme. O diretor Richard Linklater teria dito ao ator: "Você ainda é atraente demais. Precisamos esperar até que você seja um pouco menos atraente". Hawke, inicialmente perplexo, relatou que respondeu: "Do que você está falando?".

Linklater então propôs uma solução incomum: "Apenas confie em mim. Vamos colocar isso na gaveta e de poucos em poucos anos lemos novamente e vemos se estamos prontos ou não". Essa decisão resultou em uma espera de 12 longos anos até que o projeto finalmente pudesse ser concretizado.

As características físicas que justificaram a espera

A necessidade de aguardar mais de uma década tinha uma fundamentação visual específica. Lorenz Hart, o compositor retratado no filme, era descrito como:

  • Um homem franzino e de baixa estatura
  • Calvo e com rugas marcantes
  • Com aparência física bastante distinta da de Ethan Hawke em sua juventude

Hawke brincou sobre o momento em que Linklater finalmente ligou para anunciar que o filme seria realizado: "Mandei o diretor para o inferno, com bom humor, já que isso significava que eu não era mais bonito demais".

A história trágica por trás de Blue Moon

O filme Blue Moon mergulha na noite de 31 de março de 1943, uma data que marcou profundamente a vida de Lorenz Hart. O lendário letrista da Broadway havia desfrutado de 25 anos de parceria produtiva com Richard Rodgers, com quem compôs 28 musicais e clássicos atemporais como a canção que dá título ao longa.

Naquela noite fatídica, Hart testemunhou Rodgers desgarrar-se da parceria para estrear Oklahoma! ao lado de Oscar Hammerstein II, um musical que revolucionaria a Broadway. Enquanto Rodgers alcançava novo sucesso, Hart enfrentava um fim trágico e decadente.

A estrutura narrativa peculiar do filme

Ambientado durante poucas horas de uma única noite, Blue Moon segue uma estrutura narrativa peculiar que remete a clássicos como Meu Jantar com André (1981), do francês Louis Malle. O filme se passa quase inteiramente dentro do mesmo espaço: um bar em Nova York onde Hart vai afogar as mágoas após assistir ao novo trabalho de seu ex-parceiro.

Esta abordagem cinematográfica concentrada permite uma imersão profunda no estado emocional do personagem, capturando a melancolia e o desespero que marcaram os momentos finais da carreira do compositor.

O reconhecimento da crítica e do público

A paciência de mais de uma década parece ter valido a pena. Blue Moon recebeu indicação ao Oscar, consolidando-se como um trabalho significativo na carreira tanto de Ethan Hawke quanto de Richard Linklater. A história de bastidores sobre a necessidade de esperar até que o ator ficasse "menos atraente" tornou-se uma curiosidade fascinante que adiciona camadas de interesse à produção.

O filme representa não apenas uma exploração da vida trágica de Lorenz Hart, mas também um testemunho da colaboração artística persistente entre Hawke e Linklater, que superou obstáculos inusitados para trazer esta história à tela.