O renomado cineasta mexicano Guillermo del Toro usou um momento de glória para emitir um alerta sério sobre os tempos atuais. Ao receber um prêmio de diretor de honra, ele fez uma declaração forte que ecoou além da sala de cerimônias.
Um discurso que vai além do agradecimento
O evento aconteceu na pré-celebração da Variety do Festival Internacional de Cinema de Palm Springs, na sexta-feira, 2 de janeiro de 2026. Del Toro, aclamado por filmes como 'A Forma da Água' e o recente 'Frankenstein' (2025), foi homenageado com o prêmio de diretor de honra. No entanto, seu discurso de aceitação rapidamente se transformou em um recado urgente para a nova geração de artistas.
"Em um momento em que as pessoas falam para você que a arte não é importante, isso é sempre um prelúdio para o fascismo", declarou o diretor, com a convicção de quem observa padrões históricos. A fala foi direcionada especialmente aos futuros cineastas que estão no início da carreira.
Crítica à desumanização pela tecnologia
Del Toro aprofundou sua crítica ao comentar a banalização da criação artística. Ele mencionou especificamente a ideia de que "um aplicativo qualquer pode fazer arte". Para o diretor, esse tipo de pensamento faz parte de um movimento maior e mais preocupante.
Segundo sua visão, existe uma tendência crescente de degradar tudo que torna as pessoas minimamente humanas. A arte, nesse contexto, é uma das expressões mais puras da humanidade. Ao reduzir seu valor ou equipará-la a um produto de software, a sociedade perde uma de suas âncoras essenciais.
Um alerta histórico no mundo do entretenimento
A declaração de Guillermo del Toro não é um comentário isolado. Ela se junta a vozes de outros artistas e intelectuais que observam com preocupação a erosão do valor das humanidades e das artes no discurso público. O diretor, conhecido por suas narrativas ricas e visualmente densas, coloca-se na linha de frente dessa defesa.
O Festival Internacional de Cinema de Palm Springs é um palco tradicional para lançamentos de grandes produções e celebrações da sétima arte. A escolha de del Toro para fazer esse alerta em tal evento dá um peso extra à sua mensagem, garantindo que ela seja ouvida por colegas da indústria, imprensa especializada e fãs de cinema.
O recado do diretor de Frankenstein serve como um lembrete potente. Em uma era de avanços tecnológicos vertiginosos e discussões focadas em utilitarismo, a arte permanece como um bastião da experiência humana subjetiva, emocional e crítica. Ignorar sua importância, conforme alertado, pode abrir caminho para ideologias que historicamente buscaram controlar não apenas ações, mas também pensamentos e emoções.