Carta de Tiradentes 2026 clama por regulação imediata do streaming no Brasil
A leitura da Carta de Tiradentes 2026 encerrou, na tarde de quarta-feira, 28 de janeiro, o 4º Fórum da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, evento que segue até sábado, 31, na histórica cidade mineira. O documento, elaborado a partir de intensas discussões em grupos de trabalho, estabelece uma agenda de mobilização contínua para o setor audiovisual brasileiro, enfrentando desafios políticos, institucionais e econômicos que se avizinham nos próximos meses.
Um chamado à ação coletiva do audiovisual
Raquel Hallak, coordenadora geral do Fórum, foi a responsável pela leitura do texto e destacou que a Carta é fruto de um processo colaborativo. Em suas palavras, a relevância do documento está diretamente ligada ao engajamento de toda a cadeia produtiva. "A efetividade da Carta de Tiradentes 2026 dependerá do compromisso contínuo de todos nós, profissionais, instituições, redes e territórios representados aqui, em difundir, incorporar e transformar essas proposições em práticas concretas", afirmou Hallak, enfatizando a necessidade de ações tangíveis.
Conquistas e fragilidades do setor audiovisual
O documento reconhece avanços significativos recentes, como a retomada do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual, além do destaque internacional alcançado por produções brasileiras. Filmes premiados como Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025) são citados como exemplos desse sucesso. No entanto, a Carta alerta para a fragilidade dessas políticas, especialmente em um contexto de ano eleitoral, onde mudanças governamentais podem impactar diretamente o setor.
Principais temas e demandas da Carta
Entre os pontos centrais elencados no documento, destacam-se:
- Tratar o audiovisual como uma política de Estado, garantindo continuidade e investimentos.
- Promover a convergência na gestão do fomento, otimizando recursos e programas de apoio.
- Regular as plataformas de vídeo sob demanda (streaming), assegurando cotas para produções independentes nacionais.
- Ampliar a presença internacional do audiovisual brasileiro, fortalecendo a exportação de conteúdo.
A Carta defende especificamente a aprovação da regulação do streaming, com medidas como o fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual e a garantia de visibilidade para obras nacionais independentes. Essas ações visam equilibrar o mercado, dominado por gigantes globais, e fomentar a diversidade cultural.
Um novo começo para o setor
Para Raquel Hallak, o encerramento do Fórum não representa um fim, mas sim um ponto de partida para transformações. "O Fórum termina hoje, mas o trabalho que ele propõe começa agora", concluiu, reforçando que a implementação das propostas requer esforço contínuo de todos os envolvidos. A Carta de Tiradentes 2026 se posiciona, assim, como um marco na luta por um audiovisual brasileiro mais forte, regulado e internacionalmente reconhecido.