O cinema brasileiro está em festa, e Brasília tem um papel de destaque nessa celebração. O longa-metragem "O Agente Secreto", que conquistou dois prêmios no Globo de Ouro 2026, utilizou cenários da capital federal para compor sua narrativa ambientada nos anos 1970. A produção, que levou o troféu de melhor filme em língua não inglesa e consagrou Wagner Moura como melhor ator em drama, não se limitou a reconstruir o Recife da época, mas também capturou a essência de Brasília através de sua arquitetura emblemática.
Arquitetura Modernista como Máquina do Tempo
Entre as locações utilizadas na capital, dois edifícios do Setor Comercial Sul (SCS) roubaram a cena: o Morro Vermelho e o Camargo Corrêa. Projetados em 1974 pelo renomado arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, os prédios de 16 andares cada se mantiveram tão bem preservados que a equipe de filmagem quase não precisou de intervenções digitais. A única alteração necessária para transportar o público para o passado foi a substituição dos carros modernos por uma frota de 169 veículos antigos, reunidos nas três cidades onde as gravações ocorreram.
Em 2022, ambos os edifícios foram agraciados com um selo do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do DF, atestando seu alto nível de conservação e qualidade arquitetônica. As características marcantes do projeto de Lelé, que mescla estrutura de concreto com elementos pré-fabricados e utiliza persianas coloridas em laranja e azul para regular a temperatura, se tornaram um pano de fundo perfeito e autêntico para o filme.
Um Agradecimento à Capital
O diretor Kleber Mendonça Filho não escondeu sua gratidão à cidade. Em setembro, ele publicou um agradecimento afetuoso nas redes sociais: "Em dezembro do ano passado, filmamos em Brasília um pouco de O AGENTE SECRETO. Obrigado, Brasília, hoje devolvemos a acolhida com o filme pronto." A conexão com a capital se aprofundou quando o filme foi escolhido para abrir o 60º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado no icônico Cine Brasília, projeto de Oscar Niemeyer.
Em entrevista, Kleber destacou a importância simbólica do momento: "A ideia de abrir o 60 Festival de Brasília pra mim é muito forte... o Cine Brasília é uma das salas mais espetaculares do mundo... E o Festival de Brasília é uma história constante do cinema brasileiro." O elenco também compartilhou a emoção. A atriz Alice Carvalho, que interpreta Fátima, esposa do personagem de Wagner Moura, confessou a apreensão e a alegria de apresentar o trabalho em um festival tão relevante.
Um Momento Histórico para o Cinema Nacional
As conquistas no Globo de Ouro colocam "O Agente Secreto" na rota do Oscar 2026, gerando grande expectativa. O filme, que narra a trajetória de um professor envolvido em redes de vigilância durante a ditadura militar, é visto pelo elenco como uma declaração de amor ao cinema e ao país. A atriz Fernanda Maria Candido, que vive Elza, ressaltou o momento fértil da produção audiovisual brasileira, que estaria concretizando todo o seu potencial.
A produção exigiu um grande esforço de reconstituição histórica, com 50 diárias de gravação que incluíram não só Brasília, mas também Recife e São Paulo. O resultado é um mosaico visual preciso que homenageia a memória do Brasil e, ao mesmo tempo, coloca em evidência o patrimônio arquitetônico bem conservado da capital federal, mostrando que a cidade é mais do que o Plano Piloto: é um cenário vivo e cheio de histórias para o cinema contar.