Adolpho Veloso: do Brasil ao Oscar, um caminho de luz e reconhecimento
O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso, aos 37 anos, vive um momento histórico na carreira. Indicado ao Oscar na categoria de melhor fotografia por Sonhos de Trem, ele não só representa o país na premiação, mas também se destaca como um profissional técnico com potencial para fazer história. Se vencer, será o primeiro brasileiro a conquistar a estatueta nessa categoria e o primeiro técnico do país a ganhar por uma produção internacional.
A jornada até a indicação e o impacto em Hollywood
Sonhos de Trem, um filme independente que estreou no Festival de Sundance em 2025 e foi adquirido pela Netflix, surpreendeu ao ser indicado ao Oscar de melhor filme. Veloso atribui parte desse sucesso à sua direção de fotografia, que chamou a atenção de gigantes como Steven Spielberg. Em entrevista, ele descreve a temporada de premiações como uma loucura exaustiva, comparando-a a uma campanha política, com uma agenda repleta de eventos e encontros.
O paulistano, que agora reside em Portugal há seis anos para facilitar sua logística de trabalho global, reflete sobre a ansiedade do Oscar. "Tento me policiar para não criar expectativas", diz, destacando a competitividade da categoria e sua novidade no circuito. Apesar disso, ele celebra as conquistas já alcançadas, incluindo elogios de figuras admiradas, como o fotógrafo Robbie Ryan.
Trajetória e paixão pelo cinema desde cedo
Veloso descobriu sua paixão pelo cinema aos 12 anos, vendo-o como um portal para outros mundos. Formado na FAAP em São Paulo, começou a carreira estagiando em diversas funções, até encontrar seu foco na câmera e na luz. Sua ascensão internacional, segundo ele, é uma mistura de esforço, sorte e privilégios, com noites sem dormir e sacrifícios pessoais.
Ele entrou no projeto de Sonhos de Trem através de uma parceria com o diretor Clint Bentley, com quem já havia trabalhado anteriormente. A conexão criativa entre os dois foi fundamental para o filme, que busca misturar ficção com linguagem documental.
Projetos futuros e diferenças entre sistemas cinematográficos
Com a indicação ao Oscar, Veloso viu um aumento significativo no volume de propostas de trabalho, incluindo projetos com grandes nomes de Hollywood. Entre eles, está o próximo filme de M. Night Shyamalan, já filmado e com estreia prevista. Ele adianta que o projeto conta com Josh Hartnett e Saleka Shyamalan no elenco, mas mantém detalhes em sigilo.
Comparando a experiência de filmar no Brasil e em Hollywood, Veloso destaca a criatividade brasileira, moldada pela necessidade, em contraste com o sistema mais industrializado dos Estados Unidos e da Inglaterra. "No Brasil, somos treinados a ser mais criativos", afirma, expressando desejo de voltar a trabalhar no país em breve, desde que a história e o diretor sejam atraentes.
Reflexões sobre autocobrança e o futuro
O diretor de fotografia revela que, inicialmente, duvidou da qualidade de Sonhos de Trem, uma autocobrança comum no processo criativo. No entanto, as críticas positivas e o reconhecimento o surpreenderam. Ele enfatiza que o cinema depende de múltiplos fatores, desde a projeção até a experiência do espectador.
Com uma lista de desejos que inclui diretores brasileiros como Kleber Mendonça Filho e Karim Aïnouz, e internacionais como Sofia Coppola, Veloso mantém os pés no chão. Ele reconhece que a visibilidade atual é cíclica, mas valoriza a oportunidade de conectar-se com o público e expandir seu legado no cinema global.