O cinema brasileiro atingiu um marco histórico no domingo, 4 de janeiro de 2026, mas a celebração foi ofuscada por um momento de constrangimento durante a cerimônia do Critics Choice Awards. O filme ‘O Agente Secreto’ se tornou o primeiro longa-metragem brasileiro a vencer a categoria de melhor filme internacional no prestigiado prêmio da crítica norte-americana.
Uma vitória histórica com gosto amargo
A conquista consagrou a produção nacional, que já havia sido premiada pelas associações de críticos de Los Angeles, Nova York e pelo grupo nacional dos Estados Unidos. Com o troféu do Critics Choice, ‘O Agente Secreto’ completou a coleção dos principais prêmios da crítica americana, um feito inédito para o Brasil.
No entanto, o modo como a organização do evento optou por anunciar e entregar o prêmio transformou o momento de glória em uma situação atípica e frustrante para a delegação brasileira.
O constrangimento no tapete vermelho
Ao chegar ao tapete vermelho, o diretor Kleber Mendonça Filho foi abordado por uma entrevistadora que, de forma surpreendente, anunciou a vitória e entregou o troféu ali mesmo, fora do palco principal. O cineasta pernambucano, pego de surpresa, mal teve tempo de reagir e limitou-se a dizer “uau, obrigado”.
Imediatamente após a breve interação, a apresentadora retomou a programação normal, informando que muitos outros prêmios seriam entregues durante a noite. Dessa forma, Mendonça Filho foi privado da oportunidade de fazer um discurso de agradecimento formal, um momento tradicional e esperado em qualquer cerimônia do gênero.
Prática divergente e falta de igualdade
O episódio ganhou contornos mais graves ao se comparar com a edição anterior do Critics Choice Awards. Em 2025, o filme francês ‘Emilia Pérez’, vencedor da mesma categoria, recebeu o prêmio durante a cerimônia principal, no palco, com direito a discurso completo dos realizadores.
A mudança no esquema de entrega, que deixou a equipe brasileira à margem do evento central, levantou questionamentos sobre a uniformidade e o tratamento dado aos vencedores de diferentes nacionalidades.
A revanche no palco principal
Os brasileiros, no entanto, tiveram uma chance de brilhar no final da noite. Tanto Kleber Mendonça Filho quanto o ator Wagner Moura foram convidados a subir ao palco para apresentar a categoria mais importante da cerimônia: a de melhor filme.
O prêmio acabou sendo entregue a ‘Uma Batalha Após a Outra’, do renomado diretor Paul Thomas Anderson. No momento da apresentação, Kleber iniciou dizendo que entregariam o prêmio de melhor filme, e Wagner Moura completou com uma tirada irônica: “o que no Brasil chamamos de melhor filme estrangeiro”.
A piada, uma clara referência à categoria que haviam vencido e à forma como foram tratados, arrancou risos da plateia e serviu como um desfecho mais digno para a participação brasileira na noite.
Apesar do constrangimento, a vitória de ‘O Agente Secreto’ no Critics Choice Awards permanece como um marco histórico para a cinematografia nacional, consolidando o reconhecimento internacional da obra de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura. O episódio, porém, deixa uma reflexão sobre a visibilidade e o respeito concedidos aos filmes internacionais em grandes premiações hollywoodianas.