Globo de Ouro 2025: Brasil bate recorde com 'O Agente Secreto' e Wagner Moura favorito
Brasil no Globo de Ouro: filme e ator em destaque

O cenário do cinema brasileiro vive um momento histórico na atual temporada de premiações. O longa "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, não apenas garantiu uma presença inédita para o país na prestigiada categoria de Melhor Filme de Drama do Globo de Ouro, como também se tornou a produção nacional com mais indicações na história da premiação, concorrendo a três troféus.

Um caminho marcado por reconhecimento e polêmicas

A campanha do filme começou com um episódio no mínimo incomum. Durante o Critics Choice Awards, no último domingo (4), Kleber Mendonça Filho recebeu o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de forma abrupta, fora do palco, interrompido por uma entrevistadora no tapete vermelho. O fato, justificado pela organização como uma tentativa de enxugar a cerimônia, gerou repercussão negativa nas redes sociais. Apesar do constrangimento, o troféu reforçou a força da obra no circuito.

Neste domingo (11), na 83ª edição do Globo de Ouro, o Brasil tem motivos de sobra para celebrar. "O Agente Secreto" disputa ao lado de produções hollywoodianas milionárias como "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", "Pecadores" e "Frankenstein". Além da categoria principal de drama, o filme concorre a Melhor Filme em Língua Não Inglesa, sucedendo "Ainda Estou Aqui" de Walter Salles.

A batalha por estatuetas e o protagonismo de Wagner Moura

A expectativa para a noite também se volta para Wagner Moura, indicado a Melhor Ator em Filme de Drama. Ele enfrenta nomes como Michael B. Jordan ("Pecadores"), Oscar Isaac ("Frankenstein"), Dwayne Johnson e Jeremy Allen White. A vantagem do baiano é que os grandes favoritos da temporada, como Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio, competem na categoria de comédia ou musical, abrindo espaço para sua conquista.

Moura carrega outras cartas na manga. Diferente de Fernanda Torres – que venceu no ano passado sendo pouco conhecida em Hollywood –, o ator mora em Los Angeles há anos, tem filmes americanos no currículo e uma marcante atuação em "Narcos", que já lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro há uma década. Seu trabalho em "O Agente Secreto" já foi coroado com o prêmio de Melhor Ator em Cannes.

O ator tem usado a visibilidade para fazer críticas políticas. Em entrevista ao programa de Seth Meyers, atribuiu o reconhecimento internacional do filme a um avanço para a cultura brasileira após o que chamou de "desmonte" durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele também criticou publicamente o projeto de lei de regulamentação do streaming no Brasil e, recentemente, classificou como inaceitável o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.

O desafio da língua e a mudança no Globo de Ouro

A provocação feita por Wagner Moura no Critics Choice Awards – ao anunciar o vencedor de Melhor Filme e emendar "ou, como chamamos no Brasil, melhor filme estrangeiro" – revela um obstáculo constante: a barreira do idioma. Filmes em português podem afastar votantes de outros países, que tendem a priorizar produções em inglês.

No entanto, o Globo de Ouro apresenta uma vantagem comparativa para o Brasil. Após uma reformulação em 2022, motivada por acusações de falta de diversidade, o corpo de jurados hoje conta com 38 jornalistas brasileiros, quase 10% do total de 399 votantes. Somados a outros latino-americanos, eles representam 33% do júri. No Oscar, estima-se que haja apenas cerca de 70 votantes brasileiros entre aproximadamente 10 mil membros da Academia.

Fontes anônimas do júri relataram que a votação deste ano começou com atraso, com os avaliadores recebendo cerca de 400 títulos (entre filmes e séries) apenas em agosto. O prazo apertado faz com que obras já destacadas em festivais, como "O Agente Secreto", levem vantagem.

Além do filme brasileiro, outras duas produções não faladas em inglês concorrem a Melhor Filme de Drama: "Valor Sentimental" (Noruega) e "Foi Apenas um Acidente" (Irã/França), este último vencedor da Palma de Ouro e considerado um dos maiores adversários do longa de Mendonça Filho na categoria de língua não inglesa.

A cerimônia, apresentada pela comediante Nikki Glaser, acontece em um clima de tensão política nos Estados Unidos, com a recente fusão da CBS (canal transmissor) com a Skydance Media e acusações de censura a programas críticos ao governo de Donald Trump. O cenário internacional, com a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e casos de violência, também deve pautar os bastidores do glamouroso evento em Los Angeles.