Em uma conversa franca e descontraída, o astro argentino Lionel Messi concedeu uma longa entrevista ao canal LUZU TV nesta terça-feira. O jogador falou abertamente sobre sua carreira, a decisão de deixar a Europa, a relação com a seleção da Argentina, a vida nos Estados Unidos e o que planeja para o futuro.
Mudança para Miami: prioridade à família e à tranquilidade
Com serenidade, Messi explicou os motivos que o levaram a não se arrepender de ter deixado o futebol europeu no segundo semestre de 2023. Após o fim do contrato com o Paris Saint-Germain, ele escolheu jogar no Inter Miami. Para o craque, a mudança para os Estados Unidos representou uma virada significativa na rotina e no bem-estar de sua família.
Ele contou que vive com muito mais calma do que na Europa e que o futebol, apesar de importante, não ocupa mais o centro de sua vida cotidiana como acontecia em Barcelona. "Aqui tudo é mais tranquilo, é um estilo de vida muito americano. O futebol não é tratado como a coisa mais importante do mundo", afirmou.
Messi comparou a experiência com sua vida na Catalunha, onde morou a vida inteira e tinha uma rotina muito marcada. "Em Barcelona era diferente. As pessoas já me conheciam, eu frequentava sempre os mesmos lugares. Agora estamos muito mais focados nas crianças", revelou. Ele também elogiou o clima, o calor e a energia leve das pessoas em Miami, fatores que contribuem para sua satisfação no dia a dia.
O capítulo doloroso com a seleção argentina
Um dos momentos mais difíceis relembrados na entrevista foi a decisão de anunciar sua saída da seleção argentina em 2016, após mais uma derrota em final de Copa América. Messi descreveu aquele período como extremamente doloroso, principalmente pela forma como era tratado em seu próprio país.
"No Barcelona eu era muito feliz, era a minha casa. Mas quando ia para a Argentina, parecia um estranho. As coisas não funcionavam, eu jogava mal, os resultados não vinham", confessou. Ele destacou que sua família era quem mais sofria, por acompanhar as críticas na televisão.
O astro admitiu que se arrependeu profundamente de ter renunciado à seleção naquela ocasião. Assistir aos jogos de fora foi angustiante, mas o episódio se tornou uma grande lição de vida. "Quando achei que não dava mais, me arrependi muito. Felizmente pude voltar atrás. É o melhor exemplo de não desistir", afirmou. O ciclo de frustrações foi finalmente encerrado em 2022, com a conquista da Copa do Mundo no Catar.
Personalidade, família e planos para o futuro
Falando sobre sua vida pessoal, Messi se descreveu de forma direta e bem-humorada. Disse ser uma pessoa que gosta de ficar sozinha e precisa de momentos de silêncio para se equilibrar, especialmente em uma casa com três filhos correndo. Ele se reconhece como alguém muito organizado, que tem dificuldade com mudanças inesperadas e tende a se fechar quando algo foge do planejado.
Sobre lidar com sentimentos, o argentino contou que não é de falar facilmente sobre problemas e prefire guardar tudo para si. Ele revelou que chegou a fazer terapia durante sua passagem pelo Barcelona, mas decidiu interromper após um tempo. Atualmente, divide conversas sobre futebol com o pai e compartilha a vida pessoal principalmente com a esposa, Antonela Roccuzzo.
Quanto ao futuro, Messi foi categórico ao afirmar que não se imagina como treinador após pendurar as chuteiras. Ele revelou o desejo de ser dirigente ou, preferencialmente, dono de um clube. "Gostaria de ter meu próprio clube, fazer crescer, dar oportunidade para os garotos. Isso é o que mais me atrai", explicou, mostrando interesse em começar um projeto do zero para ajudar no desenvolvimento de jovens jogadores.
Para Messi, a carreira já superou todos os sonhos. "O futebol me deu muito mais do que eu imaginava. Quando parecia impossível, vieram os títulos com a seleção, que era o que eu mais queria". Após a Copa América e o Mundial de 2022, ele passou a enxergar sua trajetória como algo completo. "Tudo o que vier agora é lucro", concluiu.