A morte do renomado autor Manoel Carlos, ocorrida no último sábado, 10 de janeiro de 2026, trouxe novamente à tona uma disputa judicial envolvendo suas herdeiras e a TV Globo. O conflito, que já existia, ganhou novo fôlego com a reexibição de obras icônicas do escritor pela emissora.
O cerne da disputa: transparência nos direitos autorais
Em setembro do ano passado, a produtora Boa Palavra, comandada por Julia Almeida, uma das filhas de Manoel Carlos (carinhosamente chamado de Maneco), moveu uma ação contra a Globo. O processo questiona a falta de transparência nos pagamentos de direitos autorais das novelas. As herdeiras alegam não ter clareza sobre os valores recebidos pela exploração das obras assinadas pelo pai.
Maria Carolina, outra filha do autor, também já manifestou publicamente sua insatisfação com a situação. A insatisfação familiar vai além dos aspectos financeiros. As herdeiras acreditam que Manoel Carlos não foi tratado com justiça no final de sua carreira, especialmente após o desempenho da novela Em Família (2014) ficar abaixo das expectativas. Em 2015, o escritor deixou a emissora.
Eventos que aprofundaram o desgaste
O descontentamento foi ampliado por episódios específicos. Um deles foi a produção do documentário Tributo, realizado pela TV Globo para celebrar a trajetória do autor. O projeto foi feito sem a participação ou consulta prévia das filhas, que souberam da iniciativa por meio de terceiros.
Em resposta a essa exclusão, a produtora Boa Palavra lançou seu próprio projeto, intitulado O Leblon de Manoel Carlos. O material reuniu depoimentos de pessoas próximas à obra do escritor, como as atrizes Taís Araujo e Vera Fischer, oferecendo uma homenagem alternativa e familiar.
Novo contexto pós-falecimento
A disputa ganhou um novo capítulo e maior visibilidade justamente no momento do luto, com a morte do autor. A Globo voltou a exibir algumas de suas obras mais emblemáticas, como Por Amor (1997) e Laços de Família (2000), além de disponibilizá-las em seu serviço de streaming, o Globoplay. Essa reexploração do acervo, sem uma resolução clara da questão dos direitos, reacendeu o debate jurídico.
O caso coloca em evidência as complexas relações entre autores, suas famílias e as grandes emissoras, especialmente no que diz respeito à gestão e transparência dos direitos autorais de obras que se tornam patrimônio cultural. A briga judicial segue seu curso, agora sob os holofotes da comoção causada pela partida de um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira.



