Cate Blanchett brilha em Cannes e critica estagnação do MeToo
A atriz Cate Blanchett, sempre elegante, roubou a cena no tapete vermelho do Festival de Cannes ao usar um vestido do desfile de Inverno 26 da Givenchy. A peça apresenta uma estampa inspirada na obra do artista Olan Ventura, com franjas que adicionam volume e movimento, refletindo os efeitos desconstruídos característicos do pintor filipino.
Durante uma entrevista no festival, neste domingo, 17, Blanchett refletiu sobre o movimento #MeToo em Hollywood, observando que ele não durou tanto quanto se esperava. “A discussão foi interrompida muito rapidamente. Há muitas pessoas com influência que conseguem se manifestar com relativa segurança e dizer que isso já aconteceu com elas. E a mulher comum, a pessoa comum, diz o mesmo. Por que isso é silenciado? O que isso revelou foi uma camada sistêmica de abuso, não apenas nesta indústria, mas em todas as indústrias, e se você não identifica um problema, não consegue resolvê-lo. Se você silencia essa conversa, não consegue seguir em frente”, afirmou.
A atriz também destacou a disparidade de gênero nos sets de filmagem: “Ainda estou em sets de filmagem e faço a contagem de pessoas todos os dias, e ainda é assim, sabe, tem 10 mulheres e 75 homens todas as manhãs. Adoro homens, mas o que acontece é que as piadas se tornam as mesmas. Você só precisa se preparar um pouco, e já me acostumei com isso, mas fica chato para todo mundo quando você entra em um ambiente de trabalho homogêneo. Acho que isso afeta o trabalho.”
Blanchett, conhecida por seu ativismo, reafirmou a importância de manter o diálogo sobre abuso e desigualdade. O manifesto que ela integra reúne cerca de 800 profissionais de diversos setores da indústria criativa, pedindo mudanças estruturais.



