Menina de 7 anos empreende com terços infantis artesanais em São José do Rio Preto
Em um período tradicionalmente marcado por reflexão e renovação espiritual, como a Páscoa, uma história de criatividade e fé emerge das mãos de uma criança em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Maria Luísa Maluf Ferreira, com apenas sete anos de idade, começou a confeccionar terços infantis de forma espontânea e, com o incentivo da família, transformou essa atividade em uma verdadeira expressão artística e empreendedora.
O início do interesse pelo artesanato
Segundo a mãe, Priscila Maluf, que também é artesã, a produção dos terços começou durante as férias de fim de ano, mas o fascínio de Maria Luísa pelo artesanato é algo antigo. "Ela sempre gostou de montar pulseirinhas e arcos para cabelo", revela Priscila em entrevista. A ideia de criar os terços surgiu inicialmente como uma maneira de ensinar a menina a rezar e incentivá-la a carregar o objeto consigo, o que despertou sua curiosidade sobre aspectos religiosos.
"Os terços chamaram a atenção dela desde o começo, querendo entender a religião", relata a mãe. Embora a família não tenha o hábito regular de frequentar a igreja, Maria Luísa estuda em uma escola católica e mantém práticas de fé em sua rotina diária. "Ela reza sempre à noite, para dormir, para comer", afirma Priscila.
Da criação ao empreendedorismo
Com o tempo, familiares e amigos começaram a se interessar pelas peças coloridas e passaram a comprá-las. Foi então que a própria criança tomou a iniciativa de produzir mais terços e oferecê-los aos parentes mais próximos. "Foi tudo ideia dela de empreender", destaca a mãe, orgulhosa da autonomia da filha.
Maria Luísa estuda no período da tarde e dedica as manhãs e os fins de semana à produção artesanal. Cada terço leva em média 30 minutos para ser concluído, e até agora ela já criou aproximadamente 40 modelos diferentes, além de 25 arcos de cabelo. A pequena artesã seleciona materiais como miçangas em formatos variados – incluindo corações, flores, peças coloridas e leitosas, e até com letras – sempre buscando harmonizar cores e estilos de acordo com o santo representado.
Criatividade e desenvolvimento pessoal
Antes de se dedicar aos terços, Maria Luísa já demonstrava talento artístico pintando telas, atividade que diminuiu com seu novo foco. O contato com o artesanato continua forte no dia a dia, influenciado também pelo trabalho da mãe com gesso infantil. Para Priscila, o envolvimento da filha vai além de uma simples distração. "Ela me surpreende muito com a criatividade, o jeito de combinar cores e modelos", afirma.
O retorno positivo das pessoas que adquirem suas peças tem um impacto significativo no desenvolvimento da criança. "Quando alguém gosta, elogia e compra, ela entende que está criando algo especial. Isso ajuda muito na autoconfiança", explica a mãe. Além de estimular a criatividade, a atividade surgiu como uma alternativa saudável ao uso excessivo de telas. "Para ficar longe da TV, deixo os materiais com ela. Quando a gente vai ver, ela já está criando", revela Priscila.
Esta história ilustra como o artesanato pode ser uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil, unindo expressão criativa, aprendizado religioso e noções básicas de empreendedorismo, tudo isso nas mãos habilidosas de uma criança de sete anos em São José do Rio Preto.



