Peça 'Intenso - Meu Retorno de Saturno' explora luto amoroso e reconstrução LGBTQIA+
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem nunca sentiu que o mundo desabou completamente após o término de um relacionamento? Para aqueles considerados "intensos", o fim não representa apenas uma simples despedida, mas sim uma reconstrução integral da própria identidade. É precisamente esse cenário - repleto de caixas de mudança, playlists emocionais de divas pop e diálogos inusitados com inteligência artificial - que o ator e influenciador Vitor diCastro investiga profundamente em "Intenso - Meu Retorno de Saturno".
Nova temporada no Teatro Itália
Após conquistar o público em sua estreia no ano de 2025, o espetáculo retorna ao tradicional Teatro Itália para uma nova temporada que se estende de 2 de abril até 28 de maio. A produção transforma o "luto amoroso" em um espelho essencial para a comunidade LGBTQIA+, oferecendo reflexões sobre afeto, solidão e redescoberta pessoal. Com texto elaborado por Cris Wersom e direção assinada por Pedro Granato, a narrativa acompanha um homem gay recém-separado que busca redescobrir sua essência enquanto organiza meticulosamente seu novo apartamento.
Inteligência artificial como confidente
Sua única companhia constante durante esse processo é Britney, uma assistente virtual que evolui de simples comando de voz para uma confidente sarcástica e perspicaz. "A escolha por uma inteligência artificial foi exatamente baseada na minha experiência pessoal durante minha separação", revela Vitor diCastro. "Fiquei completamente sozinho em casa depois de dez anos de relacionamento e comecei a perguntar absolutamente tudo para minha Alexa. Quando decidimos incorporar esse elemento no texto, foi para refletir como atualmente, especialmente após o período pandêmico, buscamos companhia em algoritmos e no ChatGPT."
Transformando caos pessoal em dramaturgia
Apesar de o espetáculo beber abundantemente de fontes reais e experiências autênticas, Vitor demonstrou extremo cuidado ao desvencilhar sua biografia pessoal da ficção apresentada. Para o ator, o processo de transformar o "caos pessoal" em material dramático constituiu um exercício fundamental de proteção emocional. "Eu não desejava realizar uma terapia em grupo com o público, e seria um gatilho emocional constante relembrar minha própria história todos os dias de apresentação", explica o artista. "Minha preocupação central era não deixar a narrativa excessivamente parecida com minha vida para que eu não sofresse emocionalmente a cada sessão."
Vulnerabilidade e humor ácido
Mesmo com essa distância criativa, o público pode esperar encontrar um Vitor diCastro mais vulnerável e "desarmado", embora o humor ácido continue sendo seu escudo preferido e característico. "O público certamente me verá de uma maneira diferente daquela apresentada na internet, mas meu DNA artístico permanece sendo o deboche", afirma o ator. "É uma ferramenta incrivelmente poderosa para transmitir emoção e contar histórias de maneira cativante."
Crítica às conexões líquidas
Um dos pontos centrais da montagem teatral é a crítica contundente às conexões líquidas e efêmeras proporcionadas pelos aplicativos de "sexo rápido". Vitor pontua que, no meio gay, a busca por encontros casuais sempre foi uma realidade intimamente ligada à marginalidade histórica, mas a peça questiona profundamente o vazio emocional que essa rapidez relacional pode deixar. "Quem busca afeto genuíno e duradouro talvez não encontre verdadeiramente nesses aplicativos", afirma o artista. "Talvez a pessoa precise agir como os maias e efetivamente sair de casa, conhecer gente nova pessoalmente. O personagem principal percebe exatamente esse momento crucial em que deseja algo mais profundo e significativo."
Trilha sonora como abraço quentinho
Para atravessar esse deserto emocional, o espetáculo aposta fortemente em um "kit de sobrevivência" sonoro que inclui ícones como Beyoncé, Madonna e Pabllo Vittar. Segundo Vitor, a trilha sonora representa um elemento fundamental para o divórcio de qualquer pessoa da comunidade LGBTQIA+: "Coloque uma Britney Spears, uma Lady Gaga, uma Gloria Groove... é como receber um abraço quentinho e reconfortante. Na peça, a música auxilia poderosamente a contar a história das vivências e emoções desse personagem."
Astrologia e conselhos práticos
Conhecido por suas análises astrológicas detalhadas, Vitor não hesita em classificar o fim de um relacionamento sob a luz do zodíaco. "Se meu divórcio tivesse um signo astrológico específico, seria definitivamente câncer: um processo sem fim aparente, profundamente conectado ao passado, com muito choro, drama intenso e uma dificuldade enorme de largar o osso", brinca o ator. Para quem está atravessando o temido retorno de Saturno ou lidando com um "pé na bunda", o conselho do artista é pragmático e direto: terapia profissional e acolhimento emocional. "É uma situação extremamente difícil, mas passa com o tempo", avisa Vitor. "Porém, não adianta tentar acelerar ou pular etapas cruciais. Todas as fases do luto precisam ser vividas integralmente. Chore tudo o que tiver que chorar, peça ajuda quando necessário e encontre seus amigos verdadeiros. Após superar, você perceberá que cada momento desse processo doloroso foi necessário para a pessoa em que se transformou."
Informações práticas da temporada
Intenso - Meu Retorno de Saturno
Quando: 2 de abril a 28 de maio, apresentações sempre às quintas-feiras, com início às 20h
Onde: Teatro Itália - Avenida Ipiranga, 344 - República, região central de São Paulo
Preço: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada para estudantes, idosos e pessoas com deficiência)
Classificação etária: 16 anos
Autoria: Cris Wersom
Elenco principal: Vitor diCastro
Direção: Pedro Granato



